10 novembro 2005

Crítica: Formula Dé

Vou confessar que sou um grande admirador de tudo o que concerne à Fórmula 1. Desde da mina tenra idade que devoro tudo o que tem a ver com este desporto motorizado. Sou mesmo daqueles gajos que é capaz de estar até às três da manhã acordado para ver uma prova do campeonato. Não é de estranhar, portanto, que quando era mais novo a minha brincadeira preferida fosse as corridas de caricas. Tinha a sorte de todos os meus amigos da altura também adorarem as corridas de carros, pelo que fizemos amiúde monumentais partidas de carica nas areias dos jardins.
Mais tarde com a invenção desse dinossauro portento da tecnologia, o Spectrum 48K, deixámos as areias para nos entregarmos a um jogo de simulação do desporto rei motorizado, o formula 1, em que éramos o manager duma equipa e a única coisa que fazíamos era mudar os pneus aos carros e assistirmos aos mesmos a passar pela linha de partida. Era básico, mas passávamos as férias grandes e as mais pequenas a jogar àquilo e era sem dúvida o nosso jogo preferido.
Agora revivo a emoção da formula 1 através das simulações para a PS2, mas como compito apenas com o computador, não acho muita piada. Aliás, os jogos de computador não me consegue viciar. Farto-me deles muito facilmente.
Por isso sempre me atraiu o jogo de tabuleiro Formula Dé. Nunca o tinha jogado mas sempre olhei para ele com muita curiosidade. Felizmente o Manuel Pombeiro é um fervoroso adepto do mesmo e na passada semana tive a oportunidade do jogar e, para grande espanto meu, superou em muito as minhas expectativas.


O jogo é bastante simples. Existe uma pista dividida em dezenas de espaços e uns quantos carros que se movimentam consoante o valor que é tirado nos dados. Poderam pensar os mais puristas, e com alguma razão, que o resultado duma partida se resume à sorte e ao azar de cada um, mas, acreditem ou não, as coisas não são bem assim. Podemos por o Gastão a jogar com o Pato Donald que se o Gastão não fizer contas de somar e subtrair como deve ser, perde na certa.
O sistema encontrado para diminuir o factor sorte é bastante engenhoso. Existem 6 dados que representam as 6 mudanças dum bólide. Cada mudança tem uma numeração diferente da mudança anterior e da seguinte. Assim as mudanças mais baixas têm números baixos e as mudanças mais altas números altos. Como é facilmente visível, quanto maior a mudança em que um carro está, maior é número de casas que ele avança. Um jogador é obrigado a passar duma mudança para outra se quiser que o carro ande mais depressa. Por outro lado tem que obrigatoriamente fazer paragens nas curvas, que podem ser uma, duas ou três consoante o tipo de curva que é. Ora isso faz com que os jogadores estejam sempre a calcular com que mudanças (dados) é que devem jogar. Se jogarem com um dado ou mudança de valores muito altos, na jogada seguinte pode ser impossível fazer o carro parar numa curva e pode ser que a corrida seja perdida desse modo. De maneira que uma corrida é um emotivo e sistemático cálculo de probabilidades para afastar o azar.
No princípio de cada corrida cada participante tem uma quantidade de pontos de pneus, de travagem, de gasolina e de macânica que pode usar sempre que os dados lhe sejam traiçoeiros. Ora estes pontos dão alguma margem de manobra para arriscar uma mudança acima daquela que a prudência exige. Estes valores não são muitos, mas os suficientes para o jogador ter uma estratégia de corrida. Parte destes valores podem ser repostos se o jogador for à boxe. Um jogador que tiver uma táctica de corrida duma paragem pode arriscar mais que um adversário que não queira parar. Ao fim logo se vê quem ganha.
Existem muitas trajectórias que podem fazer o jogador propositadamente atrasar-se ou adiantar-se. Por vezes convém escolher uma casa para trás para que seja possível escolher uma mudança maior na jogada seguinte. É tudo uma questão de opções e de estudar as manhas da pista.
Mas o jogo é completo em tudo. Assim podemos sentir todas as emoções da formula 1, cones de ar, escolha de pneus que dão maior ou menos velocidade, clima que muda de chuva para sol e vice-versa, óleo na pista, atrasos na boxe, boas e más partidas, motores partidos, voltas de qualificação, etc.
Podem jogar muitos jogadores. O céu é o limite. Mas o melhor é que cada jogador tenha dois carros a seu cargo de forma a poder ter, por exemplo, duas tácticas de corrida e se por acaso uma correr mal, tem sempre a hipótese de lutar pelos lugares cimeiros com o outro carro.
Exitem à venda mais de três dezenas de pistas, desde as ovais Americanas, ao Estoril e ao Mónaco. Cada uma com as suas características e os seus próprios desafios.


Existe mesmo um mundo que se move em redor deste jogo, com campeonatos próprios e regras próprias.
Como amante de Formula 1 que sou adorei-o. E se o querido leitor ainda estiver de nariz torto por causa dos dados, confie em mim, o azar pode ser evitado. Seja como for não acho que o facto de haver sorte no jogo lhe tire a emoção. Até porque uma coisa é certa, qualquer participante está 100% envolvido ao longo de toda a corrida. Não é possível deixar de fazer, por um minuto que seja, fazer contas à vida.
Um dos meus jogos preferidos é o Mare Nostrum e é um jogo em que se passa o tempo todo a lançar dados e talvez aí até tenha mais influência do que no Formula Dé. Mas é um jogo de tabuleiro, bolas, é suposto haver sorte envolvida. Como quase tudo na vida, a sorte é uma variável que gosta sempre de dar um ar da sua graça.


Pontos Positivos:
- Componente cénica bastante atractiva. As pistas, a corrida, os dados, as miniaturas
- O jogador está sempre envolvido
- 1567 contas de cabeça de subtrair e de somar para cada 5 minutos de corrida
- Possibilidade de pintar as miniaturas
- Regras muito simples
- Variedade de circuitos disponíveis
- Emoção garantida até ao fim
- Os fãs de Formula 1 não vão deixar do jogar
- Possibilidade de utilizar várias tácticas de corrida
- Chega a ser enternecidamente infantil
- Pode jogar muita gente ao mesmo tempo

Pontos Negativos:
- As miniaturas são mesmo miniaturas
- As corridas são muito longas. Duas voltas para 4 jogadores ( 8 carros) duram 3 horas.
- Quem não gosta de Formula 1 pode não se envolver com tanto afinco no jogo
- Existem dados envolvidos. Ui, que medo!

5 comentários:

zorg disse...

A minha curiosidade em experimentar o Formula De tem vindo a aumentar. Os dados não me assustam, já que nem sequer me atraem muito os jogos sem uma componente de sorte que introduza variedade, de jogo para jogo.

O que me assusta mais é a duração do jogo. 3h é muito tempo e, para essa duração, é preciso haver muito jogo dentro da caixa...

Hugo disse...

Dentro da caixa vem muita miniatura, muito dado e muito cartão.
Ah e muita diversão.

Firepigeon disse...

De notar que o jogo em causa foi feito com 3 iniciantes que nunca antes tinham jogado, e comigo que até então nunca tinha jogado com tanta gente. Pelo que tenho lido noutras critica as mesmas 3 horas dão para uma corrida de 3 voltas com 5 jogadores, em que se usem as regras de Clima (chuva, sol, aguaceiros) e de costumização dos carros.
BTW: se alguém quiser combinar uma corrida é favor dizer!!

Manuel Pombeiro
a.k.a. Firepigeon
LUDO ERGO SUM

arguss disse...

ai ... onde posso comprar esse jogo??? me mandem um email.... argusbsb@hotmail.com

obrigado

Andre

Chagas disse...

Gostaria de comprar o formula dé original. Onde posso comprar?