09 agosto 2006

Review: Thurn und Taxis

Contexto

Há jogos que entusiasmam até o mais elementar dos grunhos, logo à primeira descrição:
- Isto é assim Hugo: comandas um império, constróis tropas e depois chacinas tudo o que se mexe!
- Ugh! Ugh! Quero jogar isso já! Gosto de chacinar! Sangue! Sangue!

Há outros jogos, por outro lado, que... nem por isso! Não entusiasmam, nem quando se usam vários pontos de exclamação na descrição, para dar mais ênfase:
- Comandas uma empresa de correios do século XVI e tens de criar a tua rede postal, de forma a cobrir o sul da Alemanha, de uma forma o mais eficiente possível!!! É giro, ou não é? Repara na quantidade de pontos de exclamação que usei!!! Hein?
- Hmm? Correios? Postais? Deixa mas é de ser maricas e vamos é jogar ao das chacinas!

E é verdade: Thurn und Taxis é mesmo sobre correios na Alemanha do século XVI. Será que é possível arranjar um tema menos cativante e que desperte menos o interesse, pelo menos a alguém que não tenha umas boas litradas de sangue teutónico a correr-lhe nas veias? Não me parece. Contudo, e apesar disso, posso garantir que não é um jogo desprovido do tal gostinho especial, antes pelo contrário e vice versa.

Para começar, temos o autor que é, nada mais nada menos, do que Andreas Seyfarth, mais conhecido entre a elite académica e científica alemã por "O mangas que criou o Puerto Rico". Só isso já seria motivo suficiente para despertar o interesse do gamer mais céptico. No entanto, há mais um motivo de interesse incontornável: desta vez o genial criador não trabalhou só e teve a ajuda da sua esposa, a sensual e fogosa Karen, que também assina este título.

A pergunta que qualquer pessoa sensata, atenta e interessada no fenómeno internacional dos jogos de tabuleiro fará nesta altura é, obviamente: a gaja é boa? E, se sim, onde é que posso arranjar fotos dela em preparos reduzidos e/ou dedicada a actividades dignas de fazer corar de vergonha um actor porno experiente? E a resposta a ambas as perguntas é um bem depravado: não faço ideia... mas também gostava muito de saber! Dito à bruta, claro, entre dois arrotos másculos e uma gargalhada libidinosa e com direito a piscadela de olho malandra e cuspidela para o chão.

Um gamer a sério, por outro lado, domina perfeitamente todas as fontes de pornografia do ciberespaço - já que as mulheres de carne e osso lhe estão negadas por razões estruturais, decorrentes da sua condição - e está mais preocupado com o jogo em si do que com a libidinosa Karen, cujas fotos ordinárias se existissem já repousariam, tranquilas e bem acondicionadas, na segurança do seu disco rígido, último modelo. Na sua mentezinha atarefada e bem oleada por horas e horas de desafios estratégicos, há questões muito mais prementes a responder, como por exemplo:
- Mas isto tem alguma coisa a ver com o Puerto Rico, essa obra prima sobre a escravatura nas caraíbas, que tanta diversão me tem proporcionado ao longo destes anos de relativa escassez de originalidade na pornografia ciberespacial? - Pergunta, enquanto ajeita os óculos de lentes grossas.

E a resposta, pequeno gamer, é: não! Não! NÃO! Thurn und Taxis não tem nada a ver com o Puerto Rico, seja em termos de jogabilidade ou complexidade. Nada! Está muito mais próximo de um China (ou Web of Power, ou Kardinal und König), ou até de um Ticket to Ride, do que de um peso pesado como a obra-prima do Andy.



O que é então um Thurn e o que tem a ver com um taxi? E onde é que entram os correios no meio disso? Vai-se de taxi entregar as cartas?

Comecemos pelo sitio onde se começa, ou seja, pelo príncipio: Thurn und Taxis é o nome de uma família que fez uma fortuna obscena no século XVI, estabelecendo uma rede de serviço postal por toda a Europa central. Aparentemente o postalinho estava na moda e os esforçados Thurn und Taxis ganharam uma pipa de massa de dimensões hipergalácticas, a ponto de hoje, mais de 400 anos passados, ainda não terem conseguido arranjar maneira de a gastar, apesar dos esforços diligentes nesse sentido que têm empreendido.

No jogo de tabuleiro, cada jogador representa uma família semelhante, que tenta estabelecer uma rede o mais eficiente possível no sul da Alemanha, para assim fazer uma fortuna que dure 400 anos.

O que vem lá dentro?

Lá dentro vem um mapa - muito bonito, diga-se - representando o Sul da Alemanha, um pouco da Áustria, Polónia e Suiça e com um total de 22 cidades representadas. Cada região tem uma côr diferente e um bónus associado. Para cada uma das cidades, existe uma carta em triplicado, o que perfaz um grandioso e inesperado total de 66 cartas. São também fornecidas peças em madeira, representando um posto de distribuição de correio, 20 para cada jogador, identificadas pela sua côr. Junte-se a isto as tiles de bónus, as cartas da capacidade da carruagem e os player aids e está o arraial montado.

Como é que se joga?

Uma jogada é um processo muito simples, dividida em 3 fases:
1) Biscar uma carta, seja uma das 6 que estão à vista, seja da pilha de cartas com a face para baixo.
2) Adicionar uma carta a uma rota em construção, ou iniciar uma nova rota.
3) Opcionalmente, pontuar a rota actualmente em contrução, caso isso seja útil.

Cada jogador vai assim construindo uma rota com as cartas que vai jogando. Só pode adicionar uma cidade à rota actualmente em construção se a cidade nela representada tiver ligação com uma das cidades nos extremos (não é permitido inserir cartas a meio da rota). Quando a rota atinge uma dimensão mínima de 3 cartas, o jogador pode optar por pontuar a rota e começar uma nova. Se um jogador na sua jogada não conseguir adicionar uma carta à rota actualmente em desenvolvimento, é forçado a descartá-la e a começar uma nova, o que é muito chato já que significa um desperdício grande de recursos.

Pontuar a rota, significa colocar os postos de correio no mapa, nas cidades correspondentes às cartas que faziam parte da rota e descartar as cartas. Há um pequeno twist, já que quando se colocam as casas é preciso optar entre colocar casas em todas as cidades de uma única região que fazem parte da rota, ou colocar, no máximo, uma por região. Quando se cumprem determinadas condições, como por exemplo ter casas em todas as cidades de uma determinada região, ou conjunto de regiões, ganha-se o bónus correspondente. O valor dos bónus vai decrescendo à medida que os jogadores os vão conseguindo. Por exemplo: o primeiro jogador a conseguir colocar postos de correio em todas as cidades da Suiça e em Innsbruck ganha 4 pontos, o segundo já só ganha 3 e o terceiro 2 pontos. Há, por isso, uma corrida entre os jogadores para ver quem chega primeiro aos vários bónus existentes.

Também são distribuídos pontos para quem aposta nas rotas grandes (que atravessem mais de 5 cidades) e para quem conseguir colocar postos de correio em todas as regiões excepto a Baviera, o que é bastante dificil.

Há ainda mais alguns detalhes em que não vou entrar, já que isto pretende ser uma review e não um livro de regras.



Conclusão

Em jeito de conclusão, o que vou dizer é que este é um jogo muito interessante, com escolhas difíceis em todas as jogadas. Pode não ser óbvio inicialmente, mas há muita coisa a levar em consideração quando se vai fazer uma jogada e, no entanto, a complexidade não é atirada à tromba do jogador, à bruta, mas antes atirada à tromba do jogador de uma forma subtil e delicada. Tão subtil e delicada, que, às vezes, alguém menos atento, ou mais grunho - leia-se, o Hugo - nem percebe que levou com ela no meio da fuça e pensa que perdeu o jogo, pela trigésima vez consecutiva, por mera falta de sorte. Não me entendam mal: há sorte aqui, nomeadamente nas cartas disponíveis para biscar a cada jogada, mas também há muito saber. Este é um jogo de eficiência e para ganhar é preciso, pasme-se, ser eficiente, não só na gestão mais táctica da "mão" de cartas (para se garantir que se consegue ir construindo as rotas e também ir preparando as rotas futuras), como também na definição estratégica dos objectivos de longo prazo (que bónus se vai tentar disputar e de que forma). Isto nem sempre é óbvio da primeira vez que se joga.

O que por aqui não há é confronto directo! Não dá para recrutar exércitos e chacinar os carteiros rivais, pegar fogo aos seus postos de correio rivais, ou sequer saquear os escritórios dos adversários. A única forma de os prejudicar directamente é biscar uma carta que eles pretendam, ou acelerar a conclusão de uma rota para chegar primeiro a um bónus. Isto pode ser pouco, para os mais violentos, ou pode ser demasiado para os mais meninas.

Para mim, este é um jogo giro! Tem regras muito simples, mas é muito equilibrado e inteligente, ou não fosse da autoria do gajo que fez de todos nós fazendeiros esclavagistas e nos devolveu a alegria, há muito perdida, de utilizar um chicote no lombo de um africano menos trabalhador. As regras são tão simples e intuitivas que também pode ser usado como jogo introdutório a pessoas menos experientes nestas andanças, a crianças com dificuldades de aprendizagem, ou ao Hugo.

O mestre recomenda!


20 comentários:

Hugo disse...

Thurn und Taxis é o jogo do momento. Vai vender milhares por todo o mundo e não é de estranhar que também suba bastante na tabela do BGG.
É um jogo sem mácula.

Mantovani disse...

muito boa a sua review!
abraços do mantovani (oba tijolo, brasil)

soledade disse...

Muito boa crítica. Tinha ouvido que o factor sorte era demasiado determinante no desenrolar do jogo. Só experimentando é que posso ver se essa sorte é, na minha opinião, q.b. ou em exagero.
Como nota fica o facto de eu ser o tipo mais desorientado do mundo. Sei ler as placas na estrada, é verdade que sei, mas o resto, bem no resto até fica simples: vou ao marquês e depois, a partir de lá, já consigo dar com a saída da A1. Baralho e volto a dar.
Isto para dizer que distribuir correio não vai ser fácil. Quer dizer, se houver placas eu até dou com o gato agora, de outra maneira, convido-vos todos a ir a minha casa dar-me uma tareia em xis turnos de como jogar thurn und taxis.
Paulo

Chirol disse...

Sobre ser desorientado, bem, dizem que algumas pessoas fazem psicologia para ver se conseguem se entender, eu fiz geografia para ver se conseguia me localizar!
Mas também sou um dos curiosos sobre o Thurn und Taxis. Espero que a Bel e a Tania comprem aí na europa e tragam para o Brasil.
E caro Zorg e Hugo, vocês aceitariam uma resenha sobre o Himalya, que adquiri recentemente na França?

abraços

Chirol disse...

Ah, quase me esqueci da dizer: Acho que prefiro temas sobre redes postais na alemanha do século XVI do que sobre pilhagem, saque e batatadas!
Mas sou claramente uma minoria entre os gamers... (pelo menos os mais viciados)

Hugo disse...

Chirol: Claro que aceitamos. É só mandar para o mail do blog que nós publicamos. Por acaso o Himalaya foi um jogo que o Zorg comprou há pouco tempo. Ainda não o joguei, mas ele diz que é um jogo muito bom. Acredito nas palavras dele.

Quanto ao Thurn und Taxis ponham de lado os receios e tratem do comprar que vale bem a pena. Se gostam do Ticket to Ride também vão gostar deste. Na minha opinião é bem mais dramático do que as primeiras versões do Ticket. O jogador está mais envolvido e está sempre em luta directa por pontos com os adversários, além de que está sempre a pensar no que vai fazer nas jogadas seguintes. O mais atraente é que um jogador projecta em antecipação as duas jogadas seguintes.
Ainda não joguei à última versão do ticket, a qual deposito muitas esperanças por causa dos passageiros, mas dificilmente consegue bater aqui o vencedor do Spiel des jahres deste ano.

Obelix disse...

Eu já joguei o himalaya em casa do zorg, juntamente com a marisa! Gostei bastante do jogo, mas houve ali qualquer coisa que me deixou de pé atrás! Mas quando o Zorg escrever a prometida session report, falo mais do jogo!

Hugo disse...

O zorg só faz session report quando ganha os jogos.
Depois toda a comunidade pensa que ele é o melhor jogador de Portugal.

zorg disse...

Era para escrever uma review também, mas como o chirol vai tratar disso, eu meto o session report a seguir.

Ou então, se o estimado obelix preferir, pode ele próprio escrever e enviar o referido session report. ;-)

O que posso confirmar é que levámos - eu e o obelix - uma tareia de dimensões bíblicas! Nem sodoma e gomorra foram arrasadas com tanta eficácia!

Obelix disse...

Foi um autêntico massacre... Senti-me um judeu em Auschwitz...

Obelix disse...

Deixo a session report para o Zorg... Foi um momento muito doloroso e ainda me custa falar nisso... tenho pesadelos durante a noite...

zorg disse...

Bom, então fica prometida uma session report do himalaya para quando voltar de férias. Quando os maricas se amedrontam, os machos chegam-se à frente e dão conta do recado!

Obelix disse...

Pois... basicamente é isso que sou... um maricas... ai Zorg, tens umas mãos tão másculas...

Chirol disse...

Zorg, só me ofereci para fazer a resenha do Himalaya porque achei que vocês não tinham o jogo. Se você preferir faze-la, posso escrever uma sobre o Shadows Over Camelot.

Mas realmente é frustrante a eliminação no Himalaya. A pior vez foi uma que eu fui eliminado logo na primeira rodada, quando empatei no religioso, mas tinha um "stupa" a menos. Muito triste...
abraços

zorg disse...

Chirol: podes e deves fazer dos dois!

Nós queremos é que as pessoas que aqui vêm participem! O nosso objectivo é que aqui se concentrem o maior número de conteúdos possível sobre jogos de tabuleiro. :-)

Escreve reviews ou session reports de todos os jogos que quiseres, manda por mail que a gente publica. Quantos mais melhor! :D

blogbel disse...

Thurn und Taxis está na minha pequena "lista de desejos". Depois desse texto acho que vou subi-lo de "like to have" para "Love to have".
Abraços a todos,
Bel

hugo_caetano disse...

Pois, eu já o tenho (obrigado Soledade) e ajudou-me a convencer os menos geeks a entrar no mundo dos boardgames. Como é bastante facil de ensinar e aprender, é como mel para apanhar moscas. O unico senão é mesmo de não haver conflitos directos entre jogadores, só existem de vez em quando; "gajo... tiraste-me a carta que queria, vais dormir no sofa esta noite" ou o olhar indiscreto para os pontos já obtidos pelo adversário e tentar perceber que rotas está a fazer. Mas vale a pena ter e é muito bonito graficamente. Acho que é o primeiro jogo que traz material que nao serve para nada quando já se sabe jogar, como por exemplo, os cartões das cores de cada jogador e os cartoes de multi-lingua para ajudar a orientar os turnos.

soledade disse...

Bem sei que o comentário é atrasado mas como só agora experimentei o jogo, não posso deixar de dar uma palavrinha...
Bem esgalhado sim senhor. Afinal a sorte não é asim tão determinante. Claro que haverá um ou outro dia, aqueles dias, em que não sai nada mas, genericamente, achei o jogo muito equilibrado. Depois vem a estética. Que regalo! É muito bonito o sacana. E ainda por cima não é caro!
Nota-se a influência de Puerto Rico na escolha dos personagens, mas com muito menos interacção. É mais estilo Ticket to Ride, pelo que já li do que vocês escreveram.
Hoje acho ainda melhor esta review.
Parabéns e viva o jogo.
Paulo

Anónimo disse...

This is very interesting site...
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Anónimo disse...

Best regards from NY! 2006 nissan frontier lowering California home second mortgage is eczema contageous Digital photo prints on lien Wholesale ionamin free shipping currency commodity trading broker newforextrading.com Divorce in israel Best amd cpu Complete pay per click Jetta all weather floor mats pictures+of+eczema ttp remote video surveillance air force rotc eczema Supplements sources protein Appliances who makes what home appliances dehumidifers pay pal buy ionamin singulair prescribed for eczema Kyrgyzstan vitamins Personnel pay per click Panda barcode scanners