24 setembro 2008

Session report: Imperial

ho do vos ser sincero. Cada vez me custa mais escrever para aqui. Não é que não goste de o fazer, mas a preguiça para o feito é tanta que na maior parte das vezes acabo por desistir. São 3 anos nisto, meus amigos, 3 anos! Ando cansado, velho e parece que estou sempre a escrever o mesmo post.
Mas apesar de tudo, depois de ter jogado a semana passada a Imperial de Mac Gerdts, fiquei com um bichinho de fazer uma Session Report gloriosa, daquelas a contar como correram as mudanças de países, as guerras, o sangue, o dinheiro e os interesses políticos por detrás de cada jogador. Mas se a intenção era boa, pior foi a sua concretização. Nada! Passei o fim-de-semana a ver bola, golf e a beber margueritas (que entretanto aprendi a fazer). Nem o computador liguei e a determinada altura já estava com os copos e o momento ideal para a escrita passou.
Por isso deixei de lado a aventura de escrever uma session gloriosa e vou apenas descrever as minhas ilações sobre a jogatana. Assim, a seco, sem rodopios narrativos nem nada. Esta é a session report mais aborrecida que você, leitor, pode encontrar nos blogs da especialidade, mas por outro lado pode até ser bastante interessante discutir. A ideia é conhecer as experiências dos caros leitores sobre este jogo e como é que as partidas fluem no vosso grupo.

Filipão: O Filipão foi sem dúvida o jogador da noite. Numa estreia absolutamente sensacional, conseguiu trazer muita frescura à experiência. Sem saber muito bem o que fazer e de maneira a esconder-se do jogo, nunca assumiu nenhuma potência. Ora, esta opção acabou por ser bastante proveitosa para ele. Com ela, acabou por poder comprar acções de todos os países e como não tinha o controlo de nada, acabava por adquirir as acções sempre que a carta de investor passava de mãos. Por outro lado, como tinha acções de praticamente todos os países acabou por estar sempre a receber dinheiro cada vez que alguma potência caía no investor. Por esse facto os seus ganhos, apesar de serem poucos de cada vez, eram constantes. Acabou por ser uma estratégia bastante funcional que me fez pensar no jogo e equacionar toda a minha forma de jogar. Filipão não se aguentou até ao fim. Ironicamente, a determinada altura, acabou por decidir, num acto de coragem, comprar o poder na Áustria. A partir dessa altura não pôde mais comprar acções com a passagem do investor, porque não beneficiava da regra que permite a um jogador sem controlo em nenhuma potência poder comprar uma acção. Filipão apostou na Áustria, perdeu a aposta e acabou por perder o primeiro lugar.

Hugo: Eu fiz o que costumo fazer nos jogos todos de Imperial. Compro a Áustria e a Rússia e faço um pacto de não agressão e consigo que as potências em questão dividam os países da Europa do Leste. Isso é o suficiente para lutar pelos primeiros lugares e também para que tanto a Áustria como a Rússia sejam bons investimentos. Mas desta vez a coisa não correu muito bem. Quer dizer, ao princípio as potências em questão até se destacaram (mais a Rússia) mas não deram o salto. Descobri, que apesar da vantagem inicial duma ligação Áustria/Rússia chega-se a um ponto em que estas se anulam e acabam por não conseguir evoluir. Penso que vai ser a última vez que faço um jogo baseado no controle Austra/Rússia. Bem me avisou o Zorg para esse facto.

Zorg: Investiu mais na Itália e Inglaterra, com algumas investidas na França e Rússia. Acho que nunca assumiu o risco e ficou sempre na expectativa. A expectativa compreende-se porque foi um jogo em que as potências andaram sempre juntas pela track de pontuação. Era de facto muito difícil prever qual seria a vencedora para se gastar dinheiro nas suas acções. A oportunidade só chegou no fim, mas já era muito tarde e os outros jogadores anteciparam a vitória da Alemanha e já tinham comprado acções desta, obtendo vantagem sobre ele. No entanto fiquei impressionado como ele trabalhou a Inglaterra e ganhou dinheiro com ela. De facto com um investimento fraquinho conseguiu retirar imenso das terras de sua majestade. Inglaterra deve funcionar bem como apoio marítimo á França ou mesmo Alemanha. Acho difícil conseguir ser a potência mais valiosa num jogo.

Spirale: Em termos de grandes líderes, Spirale sabe o que faz. Com uma astúcia sem memória, Spirale assumiu a si a Alemanha e construiu uma potência com “P” grande. A Alemanha ganhou o jogo e foi Spirale que lhe edificou o poder. Apesar de tudo, Spirale não ganhou. Foi o jogador que mais se esforçou por levar uma potência a bom Porto, mas não conseguiu a vitória. Bateu em tudo e todos mas aprendeu que ser um bom líder em Imperial não serve de nada. No entanto Spirale vai fazer referência durante vários meses a esta sessão e principalmente à Alemanha que conseguiu construir.

Ricardo: Começou o jogo como o Filipão. Passou o início escondido do grande palco, sem assumir nenhuma potência. A determinada altura do jogo pegou na França e na Itália. Percebeu-se que a França tinha grandes hipóteses de ganhar o jogo quando ele lho pôs as mãos. A determinada altura havia dúvidas se seria melhor comprar acções da França ou Alemanha. Mas, ao contrário de Spirale, Ricardo nunca teve uma mão de ferro e nunca conseguiu assumir-se como um líder nato. A França, acabou por não evoluir na classificação e acabou se afundar. Mas Imperial tinha uma surpresa reservada para os jogadores. Deu a vitória a Ricardo. Apesar de ser um mau líder, acabou por ganhar. Beneficiou de comprar a última acção dum país, numa altura em que se sabia que a Alemanha ia ganhar. Comprou uma acção alta deste país e ganhou. Isto levantou-me uma questão pertinente. Saber se o último jogador a comprar uma acção ganhava sempre. Isto porque nas minhas 3 últimas partidas foi isso que aconteceu. Mas outros jogadores juraram-me que nunca tinham reparado nisso.


A sessão foi muito boa. O Jogo terminou às duas da manhã e havia tanto para falar na altura que, devido ao adiantar da hora e à obrigação de acordar cedo na manhã seguinte, vimo-nos forçados a despedirmo-nos. Mas essencialmente esta secção fez-me ver Imperial com outros olhos e perceber alguma coisa dele. Para já que tem sorte. Parece-me, de alguma forma, que quando o jogo se começa a definir, os jogadores que vão ter a possibilidade de investir têm vantagem.
Por outro lado, de nada valem as teorias que se possam ter sobre o jogo. Tudo pode falhar na hora de fazer as contas. E isso é fantástico, ou não fosse ele um SpielPortugal. Por outro lado também é um jogo que se transforma consoante as dinâmicas dos grupos.


7 comentários:

soledade disse...

A foto é muito boa! :)

Em relação ao Imperial prometi não dizer mais nada. Só porque gosto muito e estou sempre a repetir-me. Prometi a mim mesmo. Mas não consigo. É-me superior!

O jogo tem sorte, sim. A ordem do investor pode ser demasiado?! importante em algumas circunstâncias. Mas a verdade é que o jogo é (deve ser) perfeitamente controlável em todos os sentidos.

Por exemplo: quando o mestre Gerdts passou por Leiria (como tão bem ilustra a foto) perguntou, antes de uma partida a 5 jogadores, qual era a nação que menos ganhava. E perguntou isso porque, antes do jogo começar, o pessoal lá foi mandando umas larachas a dizer que este País nunca tinha ganho, aquele País não sei quê, enfim. Basicamente não tinham a certeza que o jogo fosse equilibrado, nesse sentido. Já não me lembro bem mas acho que a resposta foi a França. Ok. Alea jacta est. O homem agarra no jogo e a França (junto com ele) ganharam de abada. Simples.

Ou seja, ele na altura mostrou (demonstrou) que o jogo não tem assim tantos factores imprevisíveis e que, bem jogadinho, os objectivos são realizáveis, por todas as nações. Claro que ele tem umas luzes sobre o jogo e a banhada que nos espetou também tem a ver com isso. :)

Em relação à estratégia de não ter controlo de países, experimentem jogar com o Swiss Bank. É uma boa variante, simples. Quem tem o Swiss Bank (quem não controla nenhum país) pode obrigar um jogador a parar no Investor para distribuir dividendos - desde que tenha acções desse país. Torna ainda mais poderosa essa estratégia e pode até obrigar os jogadores a gastarem dinheiro dos bolsos deles para pagarem os dividendos.

Para quem não falava do Imperial cá está um comentário pequenino...

PS

Hugo disse...

O jogo intriga-me, faz-me pensar nele. Gosto imenso disso. Mas foi interessante falares na forma mais ou menos fácil com que o designer vos limpou o jogo com a França, potência que habitualmente nunca ganha nos vossos jogos. Curiosamente ficou em último no nosso jogo, que aliás foi o mais equilibrado que fiz. Normalmente a Inglaterra é que fica mais abaixo na tabela. Desta vez o Zorg com o reino de sua majestade fez sempre uma enorme pressão sobre a França que teve dificuldade em se expandir com medo que a marinha inglesa lhe limpasse a costa atlântica. No entanto é como te digo, apesar de ter ficado abaixo, o gajo que tinha o poder ganhou o jogo. Pelo contrário o Spirale com a Alemanha limpou-nos o jogo com um grande avanço e não ganhou o jogo. Mesmo assim ele não comprou tudo da Alemanha, só o suficiente para lhe garantir a potência. O Twist deu-se quando ele deu o golpe final e na altura em que o fez quase todos os jogadores tiveram oportunidade de comprar acções da Alemanha menos eles. O jogo acabou entretanto.
Concordo contigo com a perspectiva da sorte no jogo. A determinado momento as coisas começam a arrancar e os jogadores que estiverem com a investor card na mão serão bem sucedidos nas compras. Mas isso claro não é um aspecto negativo, é uma contingência do jogo que pode, apenas ser muito difícil de prever.
Contudo, o melhor é provavelmente optar por uma das inúmeras variantes. Talvez isso minimize o factor “carta de investor no jogador errado na hora errada.”
Mas é um grande jogo!

Duarte disse...

Olá Hugo, boa session report, obrigado!

A propósito da questão da sorte do detentor da investor card ter a possibilidade de num passo de magia poder decidir um jogo (à partida equilibrado claro) a seu favor, porque não jogar com a variante sugerida pelo Mac nas regras - sem investor card?

Mais dinheiro ao início
Não há distribuição de bonds inicial
Todos os jogadores podem comprar acções da nação no final do turno da mesma. (aqui entra o player order)
Jogador que não controla uma nação, pode no final do turno de qualquer nação comprar acções de qualquer nação.

Eu só ainda tive oportunidade de jogar uma vez e sinceramente pareceu-me que gostei mais desta variante que da original.

Mas não foi muito bem acolhida por alguns puristas do grupo.

Eu aconselho-vos a experimentar e depois contar como foi.

Abraços
Duarte

ViceMan disse...

Já há bastante tempo que leio os vosso (e o da Spiel) blog, e escrevo para vos dizer que os invejo muito. Invejo a quantidade de jogos que jogam, e que me deixam àgua na boca para os jogar, e invejo a capacidade de tempo e de se juntar para os jogar. tenho um alguns jogos (PR, PG, TS, ElG e o grande Poker ;) ) mas raramente consigo juntar pessoal (n conheço ninguem tao viciado quanto eu para o fazer :P) para os jogar, quanto mais jogar outros que me delicio ao ler as vossas reviews.
Um abraço deste vosso seguidor :p
Luís Vicente

Hugo disse...

Grande Luís!
Obrigado pelas palavras.
Podemos ter pinta de machões mas quando nos elogiam ficamos sempre comovidos.
Não sei se sabes, mas existem já alguns grupos de jogo, em Lisboa, Porto, Leiria, Aveiro e se morares perto destas zonas, tens sempre a possibilidade de participar nos eventos que se organizam.

blogbel disse...

Hugo, Soledade,
se não me engano, Mac pegou Itália e Inglaterra, os dois países ditos pelo SpielPortugal que menos ganhavam. Mas ele pegou os dois ao mesmo tempo e, no fim, a França (que estava comigo, by the way)!

Bruno Valério disse...

Imperial sem investor card e como pasteis de nata sem... nata :S intragável.

Joguei uma vez e não gostei. O Investor Card é uma das grandes estratégias do jogo, e retira-lo não trás a meu ver nada de novo ao jogo.

É perfeitamente controlável a sua passagem de mão em mão pelo que não vejo vantagem nenhuma em não o usar.

Mesmo o diminuir do tempo de jogo não é argumento já que o jogo é bom demorado.