10 abril 2006

Session Repor: Goa na Caparica

Fico sempre um bocado receoso quando apresento a alguém a arte dos jogos de tabuleiro. Neste fim-de-semana encontrei-me com o Paulo, a Sara, o Pombo e a Cristina para uma sessão de Goa. Há uns anos atrás convivíamos bastante porque morávamos na mesma vila, mas a vida dá voltas da breca e em menos de 3 anos cada um está para o seu lado sendo, portanto, difícil estarmos juntos, situação que acontece umas duas vezes em cada seis meses.
Felizmente, mais por compaixão do que por interesse, lá vão lendo o que publico na blogosfera e acabaram por ler um ou outro post neste blog. Curiosos e também fazendo fé nos meus relatos, lá acederam a marcar uma tarde de jogatana.
- Tens mesmo a certeza que isso é melhor que o Mononopoly e o Pictionary? Tu vê lá!


O Paulo abriu as portas da sua casa na Costa de Caparica, convidou a malta e eu fiquei responsável por escolher o jogo. Tinha um problema, éramos cinco jogadores e só tinha em casa jogos para quatro. Havia a hipótese do monumental Struggle of Empires, mas o bom senso disse-me que o melhor era não o levar por causa das miúdas.
Escolhi o Goa e teria de haver um jogador que teria de fazer equipa com outra pessoa. O Pombo e a Cristina fizeram então a parelha e como diz o ditado, duas cabeças pensam sempre melhor que uma. O que não se veio a comprovar, o que prova que em matéria de ditados o povo é tão burro quanto parece.
O sangue virgem sentou-se à mesa e antes de proceder à sempre difícil explicação das regras ainda tivemos tempo para pôr a conversa em dia e saber de todos os mexericos que rodeiam uns e os outros. Alguns deles bastante escabrosos e sinistros, devo confessar.
Com a conversa preliminar feita, comecei a explicar as regras. O sangue virgem tinha apenas experimentado uma vez um jogo de Catan mas sem grande agitação porque jogámos com a disposição das tiles pré definida e perdemos toda a emoção que o jogo dá.
A coisa não podia ter começado pior. Apesar dos meus esforços a malta não percebeu nada. Gozavam comigo por tudo e por nada e só não me atiraram as especiarias porque não se lembraram. Estavam todos a olhar para o tabuleiro e para as fichas de desenvolvimento sem saber para o que é que estavam a olhar. Continuei a explicação, agora mais lentamente e ao fim de 5 minutos já sabiam, pelo menos, que as peças simbolizavam especiarias e que não eram para comer.
Como a coisa não funcionava decidimos que o melhor era mesmo jogar e eu ia aconselhando os jogadores nas primeiras acções. Decisão deveras inteligente porque passada a primeira ronda já toda a gente tinha percebido a mecânica da coisa e começaram a entregar-se de alma e coração ao negócio das índias.


Devo confessar que foi um dos jogos mais divertidos que fiz. Toda a gente estava bem disposta e as graçolas e piadas de ocasião iam sucedendo em catadupa consoante a posição dos jogadores no tabuleiro. Como é um jogo que usa e abusa dos leilões, era, nesse sentido, imensa a interacção entre os jogadores dando azo a conversa e a sucessivos risos e gargalhadas. Desde logo, os convivas perceberam que o segredo do jogo era licitar o mais alto possível para lixar o parceiro e por isso as licitações foram interessantes e bastante renhidas andando sempre o dinheiro a trocar de mão. Foi muito interessante a forma como o pessoal leiloava. Pareciam profissionais. Já tinha jogado anteriormente Goa a 3, mas o jogo a 4 é muito melhor e os caloiros estavam inspirados, conferindo aos leilões contornos competitivos altos e permitindo excelentes momentos de pândega.
A Sara que é agarrada, escondia as suas notas por baixo da mesa para ninguém a roubar nem sequer ver o que ela estava disposta a oferecer pelas tiles. Jogou com a vida e foram muitos os momentos em que a víamos, em silêncio, a olhar para o mapa do jogo enquanto fazia contas de cabeça e a arreganhar os dentes.
O Paulo foi o que começou pior, tendo algum azar nas cartas de expedição que lhe saiam e também porque não conseguiu ganhar nenhum leilão na primeira rodada. Queixou-se da sorte mas não deu descanso aos outros, fazendo-lhes a vida negra nos leilões. Como não tinha nada para fazer na primeira ronda foi buscar dinheiro. O Pombo e a Cristina segredavam a estratégia ao ouvido um do outro não deixando ninguém saber o que lhes ia na cabeça. Por vezes entravam em desacordo no valor da licitação, mas nada que não se resolvesse.
Eu, como já conhecia o jogo, lá fui conseguindo os meus objectivos sem grandes problemas, mas com alguns percalços a meio. Houve momentos em que vi a minha vidinha a andar para trás.

A segunda parte do jogo foi mais táctica e os jogadores centraram-se nos seus objectivos, deixando as risadas e o regabofe e concentrando-se mais nas suas fichas e naquilo que precisavam. Lá para o fim já estavam todos a fazer contas para saber que conjuntos de especiarias precisavam não se distraindo com falatório dispensável.
A partida terminou com a minha vitória, mas com a Sara a demonstrar-se uma jogadora e pêras levando grande avanço sobre os outros dois concorrentes no resultado final.
Enfim, foi um jogo bem agradável, que cumpriu o que se esperava dele. Que a malta se divertisse e que estivesse junta.
A opinião final dos participantes foi boa e acabámos por tirar muitas fotografias o que é bom sinal.
Seja como for ficou a ideia de que da próxima (se existir uma próxima) vai ser ainda mais divertido.
Uma referência apenas ao facto de esta gente não permitir, qualquer que seja o motivo, de voltar atrás na jogada. Tá jogado tá jogado. Um exemplo para a malta do meu grupo que passa o jogo a voltar atrás nas suas decisões.

5 comentários:

zorg disse...

Ou, por outras palavras, como levaste na pá forte e feio quando jogaste com jogadores mais batidos, resolveste ir jogar com criancinhas para teres hipótese de ganhar... e mesmo assim ias perdendo! Vergonhoso!

Hugo disse...

Vergonhoso nada. Pelo menos estes jogadores se se enganam assumem com tomates os erros, não é como certas e determinadas pessoas que é logo "ai ai ai que me enganei, deixem-me voltar atrás por favor."

zorg disse...

Eu não volto atrás nas jogadas, mas não era isso que estava em causa. O que estava em causa foi o Sr. Hugo, depois do desastre Mare Nostrum, ter ido com o rabo entre as pernas massacrar um bando de rookies, para depois se vir gabar para aqui. :)

Repito: é vergonhoso!

Paulo disse...

É engraçado saber q existem outros grupos de gamers em Lisboa! Temos um grupo que para alem do inevitável PES5, jogamos muitos boardgames. Neste momento as preferencias vão para PowerGrid, mas jogavamos com frequencia o Puerto Rico, TTR, Caylus, Catan, Princes of Florence, etc, etc. Temos para estrear o Goa e o El Grande. Ainda nos cruzamos num tabuleiro... Um abraço

Mustrengo disse...

Fabuloso este blog!! Agora que consegui cativar alguns amigos para o maravilhoso mundo dos jogos de estratégia (board ou PC) resolvi investigar as possibilidades! Claro que deparei com este site e com o geek q sao ambos super objectivos e uteis!
Ora as minhas bases são mais de PC ou não fossem os meus jogos de vida o Civilization e o Railroad tycoon (ambos já em board game)No entanto em estratégia de tabuleiro resumo a minha experiencia ao Risco e um fraquito chamado Operation Storm. Por isso e como o risco a curto prazo torna-se dependente dos dados ( os meus amigos rapidamente aprenderem a conter o espirito conquistador e a esperar...) procuro o proximo passo. Ora eu iludi-me com o Caylus que tenho a certeza q vou adorar e mandei-o vir da E-bay. O problema é que acho que é muito pesado para os meus amigos recem conhecidos desta vida. Por isso andava à procura de algo mais leve e na onda do risco, tipo Wallenstein. Só q nao encontro onde o comprar, ou está esgotado ou fala da sequela do jogo, o Shogun q soh sai em agosto.
Que me dizem? Espero? Compro o wallenstein nalgum sitio q voces conhecam? Em PT nao se vende disto? Ou compro outro aconselhado por voces?

Abraço aos profissionais!! :)