18 setembro 2006

Session Report: 2º encontro de Boardgamers em Lisboa

Foi na passada sexta-feira que teve lugar o segundo duma série de muitos encontros que se esperam vir a ocorrer nos próximos tempos em Lisboa. Felizmente, têm-se assistido a uma crescente adesão por parte de todos os fãs deste hobby a estes eventos e para isso têm contribuído as condições dadas pela loja Runedrake que mostra interesse em os promover e também em fazer que todos os que por lá apareçam passem um bom bocado e mais importante que tudo, que joguem muito.
Desta vez foram vários os títulos que foram para cima da mesa. O afamado e demorado Arkham Horror, Bonanza, o estrondoso Modern Art, o recente Thurn und Taxis, o extraordinário El Grande, o matemático Samurai, Dungeon Twister e o espampanante Commads and Colors: Ancients.
A ideia era haver disponível sempre um jogo para se jogar. De forma que mal acabava uma partida abria-se logo outra, havendo alguma rotação e também a oportunidade de conhecer jogos que ainda não se tinha experimentado.
Apareceram umas 15 pessoas que aos poucos se foram dividindo pelas mesas. A sessão começou com Arkham Horror, jogo que não participei mas tive a oportunidade de assistir à fase final. Pareceu-me interessante mas excessivamente demorado. Uma das queixas foi o facto dum jogador só jogar de 15 em 15 minutos. Desta forma o jogador tende a desconcentrar-se e também a perder o interesse. Quem jogou achou piada, mas os momentos mortos desmoralizavam e o desejo da partida acabar o mais rapidamente possível era bem visível.
Do outro lado jogava-se Bonanza. Um jogo de cartas que não assisti e por isso não posso tecer qualquer tipo de comentário. Mas aparentemente quem o jogou parecia animado e divertido.
Antes do jantar houve ainda tempo para um Thurn und Taxis e também para um Modern Art em que participei e que correu muito bem. Éramos 3 e os outros dois jogadores não conheciam esta obra-prima do mestre Knizia. O jogo decorreu muito bem e foi bastante interessante e motivador, como aliás são todas as partidas de Modern Art. Fiquei em último lugar o que demonstra bem a dificuldade que tenho em ler o jogo e o que devo fazer. Mas numa outra oportunidade vou-me debruçar mais sobre o que penso de Modern Art. É que cada cabeça tem a sua sentença e o consenso de como o jogar melhor não existe.
O Thurn und Taxis ao lado também pareceu correr bem, como aliás é norma. O jogo é bastante interessante e existe sempre uma quantidade de opções difíceis a serem tomadas. Sentido de oportunidade exige-se e uma boa leitura das jogadas futuras.
A pausa para jantar ocorreu depois disso e também nesse momento nos dividimos em duas mesas.
Na nossa falou-se de guerras e de War Games, do BoardGameGeek, de RPG’s, de miniaturas e de como se ganham fortunas a pintá-las e a vendê-las no Ebay.



Na segunda parte do encontro, já com menos gente, foi a vez do El Grande, Samurai e Commands & Colors: Ancients. Os Wargamers sentaram-se em volta do Commands e Colurs e por lá ficaram entretidos, e nem quiseram saber de mais nada. Fizeram bem. O jogo, pelo que pude assistir, é irrepreensível a nível visual. Aquilo parece mesmo uma batalha. É dada ao jogador a possibilidade de sentir vários confrontos ocorridos na antiguidade e de aprender um bocado com isso. Um dos aspectos interessantes deste tipo de jogos, e isso foi falado durante o jantar, é o facto de um jogador ficar mesmo a saber como uma determinada batalha correu, porque, por norma, o próprio procura saber mais qualquer coisa sobre ela. Nem que seja para ver as diferenças entre a simulação do confronto no tabuleiro e o que se passou verdadeiramente no campo de Batalha. O grande atractivo deste Comamnds & Colors é que pode servir de introdução aos WarGames por parte dos Eurogamers. O que aliás já se passava um pouco com o Memoir 44. Depois da conversa que tivemos durante o repasto estou seriamente a pensar em comprar o Bonaparte at Marengo. Não tenho parceiros para jogar um Wargame de 5 horas, pelo que B. at M. de 120 minutos já é mais acessível. Deixo, aliás, o convite a quem o já jogou a deixar o seu comentário com as impressões, bem como se será o melhor começo a um Wargame.
O que não gostei tanto no C&C, e isso também foi dito pelo grande mestre dos Wargames e das miniaturas Manuel Pombeiro, é que independente das baixas que uma pessoa tenha, o poder de fogo continua estranhamente igual. Mas, pronto, a ideia do jogo também é facilitar a experiência.
Eu e o restante da malta debruçamo-nos sobre o El Grande. Jogo que ainda não tinha experimentado mas que tinha enorme curiosidade em o fazer, até porque figura na lista de preferência dessa figura incontornável no mundo dos Jogos de Tabuleiro chamada Zorg.
Adorei o jogo, como toda a gente. Três de nós nunca o tinham jogado e foi interessante ver que todos gostámos imenso da experiência. Além disso foi sempre uma partida equilibrada e como é um jogo em que toda a gente trama toda a gente e onde o factor sorte tem muito pouca interferência, deu azo a grandes alaridos e alguma tensão, principalmente quando o Gustavo prometeu vetar as suas próprias acções.
O jogo fluiu bem e não demorou uma barbaridade de tempo, ao contrário do que se podia imaginar.
Passámos seguidamente ao Samurai. Mais um Knizia inédito para mim. Já havia tido uma grande curiosidade pelo jogo. Se existe alguém que não sabe muito bem o que oferecer de prenda a um viciado jogador de Sodoku, Samurai é a aposta mais do que certa. Junte-se 4 pessoas assim e são capazes de fazer 20 jogos seguidos de Samurai sem notar o tempo a passar. Samurai utiliza muito os números e quem os utilizar melhor ganha. Tudo sobre uma capa de dedução e lógica. O jogo é tão simples que até chateia e é mesmo viciante. Primeiro porque é muito rápido, 30 minutos devem chegar para o resolver e depois porque a experiência é tão boa que se quer repetir vezes seguidas. Fizemos 2 jogos e se não fosse tão tarde e o sono não começasse a atacar poderíamos estar horas naquilo.
Em suma foi um encontro divertido que finalizou eram 3 e meia da matina e onde um espírito de boa disposição esteve sempre presente. Prometeu-se repetir a experiência de quinze em quinze dias e ainda se falou na possibilidade de se organizar um torneio de Tigris e Euphrates e uma Struggle Of Empires party.
E pronto, é esperar o próximo encontro e assegurar aos que não foram que vale a pena na próxima darem lá um salto que certamente irão gostar.
A propósito, abri no BoardGameGeek meia dúzia de jogos de Tigris e Euphrates. Os jogos chamam-se Portugal e a Password é também portugal (minusculas).

25 comentários:

zorg disse...

Parece ter sido giro. Gostava de ter ido para experimentar o C&C:Ancients, que está na minha shortlist. :)

Hugo disse...

Esse era difícil. Aquilo eram 7 cães a um osso.
Podias era ter experimentado o Samurai que é um jogo bastante agradável.

Obelix disse...

Já me inscrevi em dois tigris!

Creep disse...

Sou novo nestas coisas, mas é graças ao vosso site que pude ter uma "aragem" diferente dos jogos que jogava, tinha comprado a Guerra do Anel da Devir, e sinceramente nunca percebi como se joga aquilo, não me quiz desfazer do jogo, e por isso chateei o meu cunhado (que mora em Inglaterra), a fazer uma pesquisa de outros jogos... a situação ficou caótica quando nos apercebemos da quantidade de jogos fabulosos que existiam, graças ao vosso blog, as nossas compras direccionaram exactamente para alguns jogos avaliados por vocês, queria perguntar quando existirá outro encontro de boardgamers a fim de participar nele e podermos partilhar experiências deste mundo fabuloso, e já agora alguém que saiba jogar a Guerra do anel que ainda não percebo nada daquilo...
Obrigado

Hugo disse...

lol
Bem admiro sinceramente a tua boa vontade em, mesmo não percebendo nada do Guerra do Anel, continuar interessado em jogar e em comprar jogos de tabuleiro.
Devo-te dizer que foi uma opção bastante sensata e ficamos contentes em saber que este blog, de alguma forma, te ajudou nessa decisão.
Eu, pessoalmente, não joguei à guerra do anel, mas aquilo tem aspecto de ser complicado, especialmente para quem não tem muita experiência em BoardGames. Por outro lado é um jogo muito apreciado pelos fãs das histórias do Senhor dos Anéis. Além do mais está muito bem cotado no www.boardgamegeek.com o que já quer dizer qualquer coisa.
O meu conselho é que leias as regras com calma e que não desistas facilmente. Certamente mais cedo ou mais tarde vai haver um click e tudo começa a fazer sentido. Tenho o mesmo problema com um jogo chamado Die Macher que é complicado como o caraças.
Bem, agora quanto a um possível novo encontro. Vai consultando o site www.Abreojogo.com para saber das novidades. Mas pelo sucesso que o último encontro foi e pela vontade que todos nós temos em repetir a dose, parece-me que não vais ter de esperar muito até ao próximo. Em todo o caso nós avisamos também no blog.
Quanto a alguém saber jogar à guerra do anel. Certamente aparecerá aqui uma alma caridosa que te esclareça das regras e marcará um jogo contigo. É uma questão de aguardares. Com a loja RuneDrake este tipo de coisas ficam mais fáceis de serem resolvidas.
Em todo o caso, quais são os jogos que mais gostas e o que mandaste vir ultimamente?

zorg disse...

#creep

Eu já joguei Guerra do Anel, mas só 1 vez e não chegámos a acabar. Seja como for, acho que tínhamos percebido como é que aquilo se joga, por isso se tiveres alguma dúvida específica sobre as regras, talvez eu te possa ajudar. Manda um email para o endereço aqui do blog (jogosdetabuleiro@gmail.com) e a gente vê isso. :)

ricmadeira disse...

Ah, grande Hugo! Muito obrigado pelo report, gostei de ler e de ver! Aquela última foto está fixe... é quase um anúncio: "Coca-cola, a bebida oficial do wargamer!"

Chirol disse...

Rapaz...
mais um pouco e vocês (assim como meus colegas do oba, tijolo!) me levam a falência! Agora me sinto quase na obrigação de comprar o El Grande!

abs

soledade disse...

A Guerra do Anel é, realmente, complicado de entender. Quer dizer, eu nunca li as regras mas um dos gamers da minha tribo já e não achou aquilo pera doce. Talvez o facto de ser cooperativo não ajude...
Hugo, esse die macher está mesmo a pedi-las não está? Por aqui também está na calha mas o pessoal não ganha coragem. Só eu é que estou com coragem o resto é tudo rabeta. Ah, não sei se sabes mas o scott nicholson ajuda muito. Experimenta - http://www.boardgamegeek.com/thread/117418

zorg disse...

#soledade

Estás a confundir o Guerra do Anel com o Lord of the rings do Knizia. O Guerra do Anel é um jogo de guerra, para 2 jogadores, em que um controla os free peoples e o outro as forças do lorde negro, o maléfico sauron. É porradaria do inicio ao fim e não é nada cooperativo. O jogo pareceu-me muito giro, mas precisa de empenho e dedicação na primeira vez que se joga, porque há muita coisa para digerir.

O lord of the rings do Knizia é que é o jogo cooperativo, onde toda a gente controla um membro da irmandade do anel e tentam chegar ao mount doom para destruir o one ring.

zorg disse...

Em relação ao Die Macher, temos de facto de fazer uma joga. O video do scott nicholson ajuda de facto bastante. Tanto, que quando organizarmos a joga, vai ser obrigatório para todos os participantes vê-lo 2 ou 3 vezes! :)

soledade disse...

Pois, acho que estou a confundir. Mas o jogo que eu tenho, da Devir, é para 2 a 4 jogadores. Não é só para 2...

Obelix disse...

Sou fã do Senhor dos Anéis e agora fiquei cheio de vontade de jogar a esses jogos... e ao outro também... Quero lá saber, quero é jogar!!!!

zorg disse...

O jogo de facto aparece no BGG listado como sendo de 2 a 4 jogadores. Mas parece que a forma de o jogar com mais de 2 jogadores é dividir cada uma das facções com cada jogador a comandar uma parte.

Parece um pouco contra a filosofia do jogo e há até algumas threads no BGG em que se discute se o jogo vale a pena com mais de 2 (por exemplo: http://www.boardgamegeek.com/thread/112933).

Seja como for, a grande maioria dos session reports são de jogos a 2 jogadores, o que parece confirmar que essa é a forma mais porreira de jogar o jogo.

Creep disse...

Caraças, quando vi as respostas ao meu comment, nunca pensei que pudesse ter tanta opinião ao jogo da Guerra do Anel, vou ver se monto outra vez o jogo pq o mesmo demora mais de 30 minutos a prepara-lo... Em resposta ao Hugo tenho vários jogos, embora 3 deles estejam em Inglaterra devido a ter comprado no Ebay e não estar com capacidade para pagar os portes maléficos que me "seguram" a não comprar mais...
Em Inglaterra tenho o shadows over Camelot, Metro e Mare Nostrum.
Em casa (Lisboa)além dos previsiveis Catan, Monopoly da Bolsa, Trivial, Risco, etc. tenho o Carcassonne com todas as suas expansões, Conquest of Empire e a Guerra do Anel. Quando fui a Inglaterra o meu cunhado tinha adquirido jogos tão fabulosos como O Tigris, Puerto Rico, Intrigue, Twilight Struggle, Duel of Ages, etc.
Estou a apensar fazer mais umas aquisições mas o vil metal neste caso não ajuda muito...

Hugo disse...

Vais bem encaminhado. Mare Nostrum é brutal desde que tenhas 5 gajos para jogar.
Olha, uma vez que moras em Lisboa, se quiseres aparecer amanhã (dia 21) para uma jogatana das 18:30 até às 20:30 de Thurn und Taxis aparece.
Até agora somos 3 mas a ideia é fazer uma joga antes do jantar.
O Sítio é a loja Rune drake's e fica na Travessa Henrique Cardoso, n.º 71-B perto da estação de Metro de Roma.
Para visulizares no mapa vai ao post 2º encontro de boardgamers.
Claro que o convite se alarga a todos os visitantes.
Apareçam

João Jair disse...

Saudações Brasileiras!!!
Só passando para mandar um abraço e falar que sempre leio a sua coluna. Sou um fã de jogos de tabuleiro mesmo tendo jogado poucos. Meu amigos e eu jogamos muito o Axis&Allies e eu recém adquiri o Samurai (o qual é realmente viciante!).

Um grande abraço e boa sorte! :D

joao jair disse...

A propósito, gosto muito da Guerra do Anel. Não sei se gostei mais porque joguei as 2 vezes com a sombra e a sombra dizimou os povos livres ou se é porque eu realmente gosto de jogos com 32763847563875 regras e detalhes.

:D

hmocc disse...

Creep,

Tenho a sensação que tão cedo não volto a Portugal (não sei se me faço entender... hehehehehe!...

Espera, pois dentro de pouco tempo a minha colecção irá levar um brutíssimo aumento (se a C. sabe disto mata-me...)

Entretanto por aqui vai haver uma conveção de jogos chamada PSYCHOCON com duração de 3 dias (Sexta, Sábado, Domingo), reunindo boardgamers de toda Grã Bretanha, e onde aqui o "je" vai aproveitar para jogar até ao coma jogoólico.

Vão estando atentos ao Bodegueims (http://bodegueims.blogspot.com/) onde em breve surgiram mais novidades, etc.

Joguem bem!

Creep disse...

Primeiro de tudo obrigado Hugo pelo convite, estava tudo preparado para ir, só que este temporal anti-boardgamer atrasou-me na ida para o emprego, assim terei que compensar o tempo que cheguei atrasado com um belo lamber de botas ao meu patrão... fica para a próxima, que espero seja o mais cedo possível...
Quanto a ti SkyDragon é bom que venhas e possas trazer os meus jogos ... sim porque os teus não valem a pena tirando o Puerto Rico o massacre foi total nestas férias!!!

Hugo disse...

Ganda galo.
Mas a minha ideia é todas as semanas, um dia, depois do emprego, podermos fazer um jogo de qualquer coisa.
Fica para a semana.

hmocc disse...

Creep,

Bem, enquanto disseres que o Tigris, o Twilight Struggle ou o Duel of Ages não valem nada, o teu motor opinioso estará a precisar de ir à revisão.

É que qualquer um destes bate os teus "Carcaças" aos pontos!...

Mas depois a gente fala melhor. Abraços!

Rui Conde disse...

Lamento muito ter faltado a este encontro, até porque jogaram jogos que gostaria de experimentar e ter (El Grande e Samurai), tudo farei para estar presente na proxima. Fico a aguardar a confirmação da data.

Creep disse...

O termo "não vale a pena", seria no teor de que é preciso treinares mais e muito para dares conta de ti na próxima vez que jogarmos...
Hugo se esta semana eventualmente houver algum encontro diz-me alguma coisa... lá tentarei estar!!!

Stein disse...

Um rápido comentário nesta minha estréia do outro lado do atlântico: o A Guerra do Anel é fantástico, mas é um jogo para duas pessoas.

As regras realmente não são digeríveis mas após duas ou três partidas começam a se tornar automáticas. Uma partida em que ambos os jogadores conheçam bem as regras pode ser jogada entre 1h30 a 2h.

E se o A Guerra do Anel é bom, não deixem de jogar o Batalhas da Terra Média. Como jogo de guerra é melhor, é muito mais pancadaria que o seu antecessor sem deixar de lado a história do livro.

abs

Stein