08 setembro 2006

Session Report: As férias

Fomos todos de férias. Escolhemos o Alentejo, como geralmente acontece nestas solenes ocasiões, e abandonámo-nos ao mais profundo e inarrável ócio. Pois assim sendo, posso resumir, sem qualquer receio de pecar por defeito, que os nossos dias foram passados a dormir, a nadar, a comer, a beber e a jogar, a jogar, a jogar…
Para o efeito levámos 4 jogos. Ticket to Ride: Marklin de Alan Moon, Citadels de Bruno Faidutti, Tichu de quem quer que seja e o grande vencedor destas férias Modern Art do grande Reiner Knizia.
Depois do jantar, e acompanhados com incontáveis garrafas de bom vinho alentejano, percorríamos a noite de cartas na mão construindo linhas-férreas, arquitectando uma cidade medieval ou, na maior parte das vezes, especulando agressivamente sobre arte.
O grande derrotado foi o promissor Tichu. Nunca se quis jogar a este jogo de cartas que faz as delícias de muitos jogadores. O facto de ser um jogo para 4 jogadores e elaborado para se jogar em equipas não ajudou muito. Havia sempre 5 pessoas prontas para se sentarem na mesa pelo que os outros jogos eram mais apelativos para a confraternização e para o número de disponíveis.
Ticket to Ride também não se revelou um sucesso ao contrário do que eu estava à espera. Causou muito boa impressão aos jogadores, principalmente aos que nunca o tinham jogado, mas inexplicavelmente só uma vez é que o montámos e o jogámos. Aqui o nosso Zorg venceu a única partida com 100 pontos de avanço sobre os demais o que foi uma das vitórias mais esmagadoras da sua carreira de gamer e ainda é motivo de vergonha para os derrotados.
O jogo de Alan Moon sofreu essencialmente duma concorrência muito forte. De facto tanto o Citadels como o Modern Art estavam imparáveis e acabaram por receber as boas graças do pessoal. Seja como for a vontade de o voltar a jogar ainda foi ouvida, mas Reiner Knizia estava connosco e ninguém o quis abandonar. Aposto que durante a semana passada foram várias as vezes que este cinquentão alemão e de bom aspecto pelo que dizem, devia ter sentido as orelhas a arder.
- Que raios, não consigo dormir, esta orelha direita está a escaldar. Deixa-me cá aproveitar esta insónia para inventar um joguito.

Citadels seduziu os convivas duma forma que eu nem ninguém estava à esperava, até porque a primeira sessão foi um fiasco e demorou umas 5 horas para ser resolvida. Mas uma segunda oportunidade veio a alterar tudo e acabámos por simpatizar bastante com aquilo e a perceber a importância das personagens e a melhor forma das utilizar. As vitórias foram repartidas e cada jogador conseguiu a sua vitória. Um reparo apenas à estrondosa mentira da caixa. Está lá escrito que um jogo dura em média entre 20 e 60 minutos. Bem, posso afincar que o jogo mais rápido que fizemos devia ter demorado duas horas e meia. Claro que, iludidos com a informação da Fantasy Flight, começamos um vez um jogo às 5 da tarde e eram 8 e meia e ainda não tinha acabado…
-O que é que vocês estão à espera para ir comprar o carvão? Aquilo fecha ás nove! Faltam dez minutos e continuam aí como se nada fosse. Vão lá comprar aquilo e depois acabem o jogo! Se tiverem o azar do mercado fechar vão a Odemira comprar o raio do Carvão que até se lixam. Ai vão, vão!

Mas a medalha de ouro destas férias é entregue merecidamente ao estrondoso Modern Art de Reiner Knizia. O homem estava inspirado no dia em que o inventou e brindou-nos com um jogo maravilhoso que tem tudo o que um jogador quer. Bluff, especulação ao mais alto nível, reviravoltas súbitas e uma grande dose de nervos para aguentar as jogadas arriscadas que podem render 100 como um redondo 0. Em devida altura, nas próximas semanas, vou-me debruçar seriamente sobre este clássico. O jogo é tão bom que passadas 10 partidas ainda não sabemos muito bem a melhor maneira do jogar. Isto é, se existe alguma forma de jogar bem a esta obra-prima. As partidas variam muito. Depende essencialmente dos jogadores que estão em mesa e da forma como eles jogam. É um desafio enorme, uma vez que independente de toda a teoria ganha quem fizer melhores negócios e quem conseguir especular melhor. O melhor jogador de Modern Art pode perder sem apelo nem agrado perante simples principiantes se não conseguir “ler” o mercado em condições. Teorias aqui não valem de nada. A ideia é comprar ao melhor preço e vendar o mais alto possível. Como se consegue isso? Especula-se.
E de especulação em especulação lá conseguimos beber 50 litros de vinhos.

18 comentários:

zorg disse...

O Hugo é como as caixas dos jogos, mas ao contrário: se é certo que o citadels dificilmente se joga em menos de 60 minutos com mais do que 3 jogadores, também não é menos verdade que nenhum jogo demorou 5 horas (nem sequer 3 horas). Mas com 4 ou 5 jogadores do calibre dos que a gente tinha, é coisa para demorar perto de 2 horitas.

Quanto ao Modern Art acho que a palavra que melhor o descreve é... desconcertante! Também planeio escrever qualquer coisa sobre isso num futuro não muito distante, mas desde já deixo a minha recomendação sem reservas! Com um conjunto de regras extremamente simples (em termos número e complexidade das regras é menos pesado do que alguns titulos conhecidos pela suja simplicidade, como o ticket to ride, por exemplo) é dos jogos que eu conheço mais difíceis de dominar. Envolve estratégia, táctica, bluff, jogo psicológico... e tudo isto com meia dúzia de cartas, uns chips para servir de dinheiro e um mini-tabuleiro, menor que uma folha A4 (e por tudo isto ainda foi barato: 10 ou 15 euros na playme, se bem me recordo).

Quanto ao Marcklin, acho que falhou em face da concorrência e, principalmente, do grupo. Só havia um rookie entre os participantes - a Ana - que foi precisamente a que gostou mais do jogo. Tanto o Nuno, como o Gonçalo acharam o jogo giro, mas, nas palavras de um deles, "bom para jogar 2 ou 3 vezes, mas depois farta".

O grande vencedor acho que acabou por ser o Citadels, não só porque foi quase tão jogado como o Modern Art, mas também porque tinha muito menos cartel. O Nuno gostou tanto que quer comprar uma cópia.

soledade disse...

Modern Art é, de facto, um grande jogo. Falo desse porque é o que conheço. Realmente fica a sensação de que nunca sabemos jogá-lo. Dá a ideia que é um bocadinho como o póquer. Eu explico. Não é que tenha tanto que ver com sorte quanto o póquer, mas a forma de o ganharmos em termos de domínio mental sobre os adversários é idêntico.
Como diz o Hugo, o melhor jogador de Modern Art, ou seja, aquele com mais jeito para o bluff e para a avaliação dos adversários, não quer dizer que ganhe sempre porque, apesar de ser um jogo com uma curva de aprendizagem não muito grande, precisa de algum estudo dos adversários. E é aí que atrapalha. Quando os jogadores mudam, toda a gente treme e ninguém sabe bem o que há-de fazer. Com isso eu concordo.
Também me parece, pelos jogos que já joguei, que o mais importante é não dar dinheiro aos nossos adversários, a não ser em circustâncias muito favoráveis. O ideal é comprar os nossos quadros e ponto.
Já vi que as férias foram boas...
Paulo

Chirol disse...

O Citadels foi um dos primeiros jogos que eu joguei, e foi o primeiro do qual eu realmente gostei muito, me lançando no vício da jogatina! Ele tem uma simplicidade e perversidade que fascinam. Excelente para newbies. Mas normalmente nossas partidas são bem rápidas, em torno de 60 minutos, no máximo 90.

Já o modern art eu tive na mão para comprar, mas desisti porque tinha acabado de comprar o Razzia (com mecãnica de leilão) e não queria um jogo parecido. Pelo visto fiz besteira, mas não me arrependo porque comprei o Saint Petersburgo no lugar, o jogo mais viciante do mundo!!

abraços

Hugo disse...

O Saint Petersburgo foi um jogo que não me fascinou nada da única vez que joguei.
Uma vez que o Chirol gosta tanto, vou jogar novamente um dia para ver se mudo de opinião.

Hugo disse...

E quanto à duração do Citadels, embora seja uma questão sem importância, das 4 ou 5 partidas que fiz nenhuma demorou menos de duas horas e algumas delas esticaram-se em demasia para além disso.
Claro que, quanto maior a experiência dos jogadores, menor o tempo de jogo. Mas mesmo assim, atendendo à introdução de jogadores novos e cartas novas em cada partida, não se fiem nos 20 a 60 minutos.

Chirol disse...

O Saint Petersburgo tem uma coisa engraçada Hugo, ele é um pouco "ame ou odeie"! Quem gosta, gosta muito (eu!), mas a Bel, por exemplo, Acha um dos jogos mais semgraça do mundo (sem falar que a minha mulher o achou o jogo mais chato do mundo...).

è isso, mas dê mais uma chance ao jogo... ele merece.

zorg disse...

Eu acho o St. Petersburgo muito engraçado, principalmente com menos jogadores (2, ou em ultimo caso, 3). Com 4 acho que fica muito imprevisível e não dá para fazer grande planeamento. Com 2 é um jogo de eficiência muito engraçado, que se joga depressa e é bastante desafiante.

No entanto acho que estou relativamente só nesta minha avaliação, porque mais ninguém acha muita piada ao jogo...

blogbel disse...

Hugo, em se tratando de Sankt a primeira impressão é a que fica.
:-)
Portanto, não estranhe se os seus sentimentos permaneçam os mesmos depois da segunda partida.

O Sankt é o desvio de caráter do Chirol. Fazer o que, né?, a gente gosta dele mesmo assim!
hauahauahaua!!

Locus disse...

E eis que muito tempo depois de andar a ler as aventuras e desventuras de Hugo & Zorg no reino dos jogos de tabuleiro, resolvi também deixar aqui o meu primeiro comentário.Já acompanho aqui as peripécias destes dois e por vezes cheguei a pensar que este trocar de galhardetes entre eles só poderia ser amor, daquele tipo "quanto mais me batas mais eu gosto de ti"... Mas o seu comprovado desempenho másculo na arte de bem jogar, ensinar e ganhar jogos deu-me garantias do contrário!(acho que esta frase vai ser alvo de comentários!) Comprovados os seus másculos atributos quero felicitá-los pelo excelente blog e por darem a conhecer um pouco deste reino a novos e veteranos nestas andanças dos jogos de tabuleiro!
Já acompanho aqui os textos desde o final do ano de 2005 mas mantive-me sempre na sombra.Já jogo desde míudo começei com os tradicionais(Risco, Monopólio, Petróleo, Bolsa,Statego, Etc) e depois houve 5 anos de universidade em que me esqueci do prazer que tinha em passar tardes a jogar e eis que em NOV de 2005 encontrei o Jogo Petróleo novinho numa feira a 5 € e o "bichinho" cá dentro ressuscitou tal fènix surgida das cinzas. Começei pelo Carcassone e Catan e tenho vindo por aí adiante.Dos vários que tenho em casa alguns por jogar caso do Caylus que espero um dia destes ser convidado pelo Soledade para uma jogatana e para aprender que ainda não tive tempo para apreender os mecanismos e ver na prática como aquilo tudo funciona.(disse Soledade porque tal como ele também eu sou de Leiria!Tb já dei uma olhadela ao teu blog!)
Quanto ao Modern Art e Citadels fiquei curioso e desejoso dos experimentar mas mais com o Citadels porque aprecio bastante temas medievais.
E pra já é tudo mas podem contar com a minha sintonização mais activa por estas bandas! Abraço!
LocusH

zorg disse...

Olá LocusH!

Obrigado pelos elogios simpáticos. Há de facto um macho latino nesta dupla e, em jeito de pista, posso dizer-te que é o sobrinho do meu tio... ;)

Volta sempre e espero ver-te participar mais vezes! :D

Hugo disse...

Locus:
Esse Petróleo se o visse comprava logo também. Joguei isso umas 500 vezes nas férias grandes da Secundária. Era esse e o Petroleiros. Não me cansava de jogar a isso. Depois apareceu o Risco e a vida nunca mais foi a mesma.
A proposito e para que o assunto fique encerrado duma vez por todas, eu sou o primo macho do Zorg.

2 dedos disse...

Tb lá tenho o Petroleo e o Petroleiros :)
Não sabia q havia pessoal q tinha jogado isso LOLADA.

Esta semana perdi a cabeça e mandei vir o Formula Dê e o Thurn and Taxis ;)
Este final de Setembro promete aqui em casa hehehehe

Hugo disse...

Não perdeste nada a cabeça. Formula Dé e Thurn und Taxis são belos jogos.
Vais ver que ainda vais jogar mais a isso que ao Petroleo e Petroleiros.

Obelix disse...

O hugo, másculo como só ele, quis mesmo reforçar a sua ideia...

soledade disse...

Ouvi dizer que só quando há dúvidas mal rezolvidas é que se usam tantos sublinhados másculos. É verdade? heheheh
Locus, o pessoal quer é mais jogadores.

podes enviar email para combinar...
paulosoledade1975@yahoo.com.br

Locus disse...

Falando em preços de Jogos, que tal um post com alguma publicidade a com alguns sites ou lojas em Portugal/estrangeiro onde se poderá comprar(se possível quase dados) uns joguitos? Depois do verão já só se pensa em Dezembro e listas de compras já há quem as tenha começado a fazer! Eu tenho comprado on-line no site www.netsurf.pt e para compras superiores a 80€ não se pagam portes e uma boa variedade.Sei que o pessoal aqui manda vir do playme.de não é?

Hugo disse...

Nós compramos geralmente na www.Playme.de onde os jogos são mesmo quase dados.
A diferença de preços é enorme em relação aos preços que se praticam em Portugal.
Basta olhar para uma montra qualquer daquelas tabacarias de Shopping que vendem jogos para comprovar isso.
Chega a ser o dobro do valor.
Dou o exemplo do colosso Railroad Tycoon que me custou na playme 35 euros e vi há venda, numa dessas tabacarias, por uns impensáveis 70 euros.
Os mesmos preços eram aplicados ao bonito Conquest of Empire.
Claro que os nossos amigos do Brasil, dariam tudo por poder comprar jogos ao preço que os encontramos nos Centros Comerciais em Lisboa e no Porto.
Mas o melhor é juntar malta que quer comprar e mandar vir tudo junto. Sai uma pechincha. Da ùltima encomenda os portes sairam 2 euros a cada um.

soledade disse...

Playme é interessante, 13€ de portes independentemente da encomenda.
milan spiele tem a vantagem de ter muitos títulos em inglês, o que, às vezes, ajuda.
de frança há a ludibay. eu recomendo pela rapidez de entrega, os portes tb são baratos 12€, embora os jogos sejam um pouquito mais caros, nalguns casos, um bocado mais caros. Mas tem boas oportunidades...