03 janeiro 2007

2006: o ano da jogatana!

A introdução audaz

Chegada a altura do balanço, pode-se dizer, sem medo de mentir, que para mim 2006 foi o ano que se seguiu a 2005! Mas, mais importante do que isso, 2006 também foi o ano da Jogatana (que é, como se sabe, um signo chinês muito conhecido)! De facto, posso dizer sem correr o risco de pecar por exagero grosseiro, que este ano joguei mais vezes do que no ano anterior!

Também posso revelar, em primeira mão, que, numa atitude sem precedentes na minha carreira artística, durante este ano registei pacientemente *todas* as sessões de jogo em que participei, utilizando a ferramenta do BGG que existe para o efeito, numa manifestação de geekismo tão surpreendente como inesperada, num homem com a minha atraente compleição física, que não usa óculos e é capaz de manter uma conversa normal com uma mulher durante minutos e minutos, sem desmaiar num turbilhão orgásmico e suado, antes da primeira palavra.

Eestarei a geekificar? Estarei a ser vítima de um processo de transformação gradual e irreversível que culminará com a minha metamorfose total, morrendo para sempre Zorg, o atleta escultural, altivo e orgulhoso, mas sociável e bem sucedido junto das damas, surgindo no seu lugar Zorg, o geek patético, mirrado, fotofóbico e autista?

Ou, por outras palavras, estarei condenado a transformar-me num Hugo?

Esperemos que não e que esta mania parva de registar as sessões de jogos não passe de um delírio, passageiro e sem consequências, e não seja um sintoma preocupante de uma geekite galopante e imparável, contraída via tampo de sanita infectado, numa qualquer casa de banho pública deste país.

Mas, agora que o mal está feito, há que aproveitar os resultados! E a verdade é que agora disponho de informações exactas, quase até ao lançamento dos dados, sobre todos os jogos que joguei em 2006! Iupiiiiiiiiiiii! Assim é fácil tecer alguma considerações inteligentes e fundamentadas!

Infelizmente, eu não gosto de coisas fáceis, pelo que vou optar pelo caminho mais difícil e escrever meia dúzia de banalidades, sem qualquer interesse.

Os mais jogados

O jogo mais jogado em 2006 foi o simpático Roma!

É verdade, de acordo com os registos, joguei Roma 27 vezes! 27 vezes! Nada mau!

Para isto contribuiram certamente o facto de eu gostar muito do jogo (e até já ter escrito qualquer coisa sobre ele, neste blog - é chafurdar para aí, que alguma coisa deve surgir), o facto de ser um jogo exclusivamente para 2 jogadores, o que o torna elegível para ser jogado com 2 jogadores, ao abrigo da Lei Hugo número 27 (a que estabelece inequivocamente quais os jogos elegíveis para serem jogados a 2, pelo Hugo) e também o pouco tempo que cada sessão de Roma pode durar. Todas estas razões fazem-me acreditar que este continuará a sua carreira de sucesso em 2007...

O segundo jogo mais jogado deste ano foi - e este é surpreendente - o Caylus, com um total de 23 vezes! 23 jogos de Caylus, um jogo que não é, como qualquer gajo que já o tenha jogado sabe, propriamente um canapé! 23 jogos de um complexidade, bruteza e algum fundo... é de homem!

A uma média de 2 horas por jogo, significa que passei 46 horas deste ano, ininterruptamente a tentar construir partes de um castelo, numa qualquer terreola de França, quando poderia estar a fazer coisas muito mais produtivas, como por exemplo, escrever posts idiotas para este blog, tricotar camisolas de malha para o Inverno, ou registar sessões de jogo no BGG! No entanto, há um pormenor importante que diminui a dimensão da insanidade: destas 23 sessões de Caylus, só umas 11 ou 12 é que foram ao vivo e a cores, o que reduz o tempo total de construção de castelos em França para umas muito mais aceitáveis 27 ou 28 horas (porque no BSW cada jogo demora uns 20/30 minutos). Mesmo assim é muito!

Outros jogos muito jogados foram Thurn und Taxis, Modern Art, Puerto Rico, Um Reifenbreite, ou os aperitivos Lost Cities e Schotten Totten, todos com mais de 10 jogos registados.

A distribuição

Outra observação interessante que se pode fazer, olhando para estes dados, é a distribuição de cada jogo ao longo do ano. Tomem-se o Um Reifenbreite e o Puerto Rico como exemplo: ambos foram jogados 12 vezes no ano que findou, mas enquanto o Um Reifenbreite foi jogado principalmente até Maio/Junho, que é quando as saudades da volta a França começam a apertar e um gajo sente necessidade de brincar com bicicletas, o Puerto Rico só foi jogado em Dezembro, que foi quando o comprei nos saldos da Ti Ivone Dos Jogos, e também é a altura em que um gajo sente necessidade de chicotear uns escravos e produzir umas matérias primas numa qualquer ilha das caraíbas.

Os menos jogados

Olhando para a parte de baixo da lista, para os menos jogados, também há sentimentos ambivalentes. Se por um lado é inevitável ir buscar uma chibata e proceder a uma sessão de auto-fustigação ritual, como castigo por pérolas como Wallenstein, Mare Nostrum com expansão, Princes of the Renaissance ou El Grande terem sido tão pouco jogados, também não é menos verdade que há alguns jogos mal amados - cujos nomes não serão referidos para evitar ferir susceptibilidades - que não me apanham a jogar outra vez, nem que me metam os testículos num torno e apertem muito, ao som de sevilhanas!

A verdade é que à medida que um gajo vai ganhando calo, vai perdendo o medo de tratar os bois pelos nomes e de ir assumindo que há jogos que pura e simplesmente não prestam... pelo menos para mim!

A conclusão

Jogar é fixe! Comer arroz de marisco é baril! Registar as sessões de jogo no geek é doentio!

As 3 actividades envolvem uma dose considerável de risco pessoal e uma grande vontade de ajudar a humanidade a vencer os desafios que se lhe deparam.

Mas é um risco que estou disposto a correr! Nas palavras imortais e carregadas de sabedoria de António "Pazada" Silva, tratador de elefantes e responsável máximo pela recolha dos dejectos do zoológico de Lisboa: é um trabalho duro, mas alguém tem de o fazer!

7 comentários:

hmocc disse...

Caro Zorg,

Já tinha saudades dos teus posts!

Aliás, e honra seja feita também ao Hugo, é sempre um prazer ler o JdT.

Um grande abraço e votos de um excelente 2007.

P.S.: Andei 2006 inteiro a tentar jogar ao Roma e não consegui. Será que o vou conseguir em 2007?

soledade disse...

Abensoado BSW que nos(vos) deixa jogar Caylus em tempo razoável. É que, para mim, perder três horas (sim, porque ou tenho tido azar ou sempre que jogo são mínimo três horas) a jogar caylus é um abuso. E o jogo podia ser muito melhor não fora isso.

Bom 2007 e com os registos todos feitinhos à maneira lá, no bgg.

Abraço
Paulo

zorg disse...

Eu ao vivo evito jogar Caylus com 5 jogadores e não jogo com mais de 3, se houver algum estreante. Com 3 jogadores, ou com 4, com a condição de todos serem experientes, consegue-se jogar em 2 horas.

E concordo contigo: se a demorar 2 horas o Caylus é dos melhores jogos que há para aí, a demorar 3 ou mais, já se começa a entrar num terreno pantanoso...

Spirale disse...

Zorg, Zorg, Zorg... Essa tua afirmação é patética, em particular depois da sessão de ontem de 6 horas a estrear o Imperial! :-) (ver session report no BGG...)
Confesso que jurei a mim mesmo nunca jogar e gostar de um jogo que demorasse mais de 3 horas. No entanto isso aconteceu ontem... 2007 começa bem!

Quanto a 2006, como para mim foi o ano de todas as revelações (graças a ti nobre e justo Zorg) gostaria de destacar os jogos que joguei mais vezes de entre os muitos e bons que tive oportunidade de jogar:

Puerto Rico, Caylus, San Juan, Roma, Thurn und Taxis, Ticket to Ride Marklin, Lost Cities, Schotten-Totten, Carcassonne + expansões e Himalaya entre muitas outras revelações e surpresas agradáveis.
Pela negativa temos um em particular: dá pelo nome de Byzantium. ;-)

Anónimo disse...

Caro Zorg,

Não se preocupe com a sua geekificação. Preocupante seria se você tivesse comprado orelhas de Spock e começasse a saudar todo mundo com "vida longa e prosperidade", fazendo o sinal característico com a mão. Ou caso tivesse comprado um sabre de luz e fingisse ser um jedi.

Jogos de tabuleiro são uma atividade saudável e social, que não tem mal nenhum... (espere um pouco, minha mulher está na porta, com as crianças, ameaçando me abandonar caso eu não termine a minha 15a partida seguida de hive pela internet, vou acabar a partida e conversar com ela... devo demorar um pouco)

Mas sim, estou de volta, e já que jogos de duas pessoas são tão práticos, sugiro o Hive, que não tem saques e chacinas, mas sim simpáticos insetos tentando capturar a abelha do inimigo.

abs

Chirol disse...

O post anterior foi meu!

ass.

Chirol

Anónimo disse...

Veja os jogos recomendados pelo ingrato:
http://ingrato.blogs.sapo.pt