19 Dezembro 2005

Risco

Enquanto estava a fazer as minhas compras de Natal e passei pela secção de Jogos de Tabuleiro do Continente, invadiu-me uma onda de nostalgia tão grande que fiquei durante uns minutos a recordar aquele tempo em que me sentava mais a malta em casa do Pombo a jogar Risco durante horas e horas seguidas.
Isto porque, apesar de tomar conhecimento que as vendas do Monopólio continuam em grande, estava um miúdo já grandinho, em grande birra, para que os país lhe comprassem o Risco. Os pais queriam levar o Monopólio, mas o puto era teimoso e sem desistir exigiu o Risco com estrondosa convicção, a tal ponto que foi preciso um dos empregados chegar perto para que os pais, sem resposta e já envergonhados face à gritaria satânica do puto, lá lhe levaram o jogo de guerra para evitar maior humilhação.
Pisquei o olhos ao miúdo que, mais calmo, silenciou a birra e lá foi atrás dos pais que nem o podiam ver, quanto mais falar com ele. Lá lhe disse para o sossegar:
“Fizeste bem. O jogo que os teus pais queriam é uma porcaria.”
O Risco foi um dos jogos que mais joguei até hoje. Claro que dada à actual infinidade de escolhas que temos no presente, é um título que, com toda a certeza, não vou voltar a jogar, mas quando tinha 16 anos, passava a vida naquilo. Eu e os outros. Tomávamos o pequeno almoço, começávamos o jogo, íamos a casa almoçar e lá voltávamos a casa do Pombo para o resto da jogatana. Dia após dia lá íamos nós para o vício. A maior parte do pessoal da nossa idade passava os dias a fazer-se às miúdas a fumar ganzas e cigarros e a andar de mota. Nós não, jogávamos Risco. Claro que nunca houve miúdas envolvidas e tivemos o nosso início sexual um pouco para o tardio, mas ainda bem porque também não se perdeu nada. O prazer do Risco ultrapassava o hipotético prazer do namoro.
O que mais me atraía no Risco era o tempão que aquilo durava. Além da componente de guerra que o jogo trazia consigo. Estratégia era zero. Mas o Lindinho, que tinha a mania que era mais inteligente que os outros, dizia convicto após cada vitória que conseguia:
“O Risco é 50% sorte e 50% estratégia.”
Claro que nunca ninguém contestou esta frase, até porque era uma forma de incentivo à jogatana. Achávamos os maiores estrategos do mundo. Mas as vitórias do Lindinho sustentavam-se claramente no roubo de peças. É que cada vez que recebia reforços nunca eram os que as regras ditavam mas sempre mais um ou dois que ele achava por bem adicionar ao seu pecúlio. Quando era apanhado chamava-nos tudo e que tudo não passava duma maquinação colectiva para lhe retirarmos a vitória. Porque o jogo dele baseava-se na estratégia e o nosso na sorte e na difamação.
Outra das particularidades do Lindinho era manobrar o pensamento dos novos jogadores. Fazia questão de se sentar ao lado dos novatos e rapidamente jogar por eles. “Se eu fosse a ti atacava ali o Hugo...mas tu é que sabes.”
A esta distância tenho de admitir que o Lindinho era um bom jogador de Risco. Jogava aquilo com raiva. Aliás a tensão psicológica era tanta entre os jogadores que não havia espaço para alianças. Cada um jogava por si e o Lindinho tentava jogar por todos.
Ao ver o jogo agora, tudo se trata de sorte. 90% sorte e 10% estratégia. Mas na altura isso não importava. O Risco era um jogo de estratégia e pronto.
O que eu fazia era evitar os territórios com maiores fronteiras de modo a ser menos vulnerável, ao mesmo tempo que também não me interessava aumentar o território em demasia. Dizia-me a experiência que o primeiro gajo a ter o maior império perdia o jogo. Outra táctica vitoriosa era concentrar as forças na Austrália e desencadear uma estratégia militar de forma a conseguir esse continente e a partir daí desenvolver o jogo para a Ásia. A África era uma chatice porque é um alvo muito fácil. Lembro-me de batalhas sem fim pelo controlo da África. Aquilo era lançar dados atrás de dados e a carnificina era tanta que muitas vezes nenhum dos contendores ficava com aquele pedaço de terra mas antes um jogador que ficava à margem do conflito e que atacava quando as forças na região eram poucas.
Hoje em dia tenho pena por não termos descoberto na altura o Axis and Allies. Se com o Risco nos fazia vibrar, imagino o Axis and Allies que sempre é mais evoluído.
Mas enfim, isso são contas antigas. Agora o que me preocupa é comprar uma prenda para a minha irmã e para o meu cunhado. Ainda pensei no Catan, mas a minha namorada disse logo:
“Eles não vão jogar a isso...”

16 comentários:

Skip disse...

Aqui no Brasil chama-se War. Com certeza é ao lado de Monopoly (no Brasil, Banco Imobiliário) o jogo mais conhecido por aqui.

Inclusive quando explicamos aos novatos que jogos de tabuleiro jogamos, dizemos: parece War, mas mais evoluído. Sinto saudades do clima do War. Moleques jogando juntos e se divertindo muito. Passávamos a noite toda jogando. Haviam campeonatos na escola, com incentivo de professores que achavam que o jogo tinha grandes doses de raciocínio e estratégia. Parece um jogo tão fútil hoje.

fgpina disse...

Caro Hugo,

Também no meu caso, reparei que os jogos de Risco, não eram propriamente das melhores coisas para sacar gajas…

Mas fazes aqui uma muito justa homenagem a um jogo que para muitos (seguramente para mim) está na origem do muito que viria a seguir.

A única coisa que gostaria de contrariar é a tua convicção de não voltares a jogar o Risco. Claro que comungo da tua noção que há muitas e muitas coisinhas melhores para jogar (as minhas prateleiras têm inúmeras provas materiais disto).

O que eu tenho vindo a notar nos estados emocionais do nosso grupo da sexta-feira, é que oscilamos entre a vontade de algo complexo numa semana e de algo verdadeiramente ligeiro noutra. Claro que a carga da semana que passa se faz sentir nesses dias…
Portanto, ora jogamos algo tipo Wallenstein, ou Power Grid, que faz fumegar um pouco a tampa, ora jogamos algo tipo intelecto zero, mas realmente divertido. É aqui que um jogo tipo Risco se pode encaixar.

Ainda há uns poucos de meses jogámos Risco. Uma coisa é óbvia – tem de se jogar com as cartas de objectivo! Permite um jogo relativamente rápido (pouco mais de uma hora) e com uma tensão constante, pois um pequeno erro pode acabar rapidamente o jogo. O bluff também pode ter um lugar importante. A versão da dominação global, que muita gente é levada a optar, faz realmente estender o jogo penosamente, onde cada jogador que se adianta mais um pouco, leva com a aliança dos outros em cima, impedindo o jogo de progredir.

A outra razão que nos pode levar a jogar um Risco é cativar potenciais novos gamers. É um jogo com regras muito básicas e que já tem os ingredientes correctos: dominação, território, combate, diplomacia (pouca mas subtil), risco. Bom para os cativar!

Hugo disse...

Curiosamente, apesar das dezenas de partidas que fiz, nunca joguei com as cartas de objectivo. Eramos, na altura, tão fanáticos e tão pedantes que ou era o mundo que conquiatávamos ou não era nada.
Seja como for aquilo de não jogar mais ao Risco foi coisa que me saiu na altura. Quando acabei de escrever o post apeteceu-me logo telefonar ao Lindinho, ao Pombo, ao Paulo e ao Falcão para voltarmos à mesa. Ou talvez não. Na volta ensinava-lhes a jogar Wallenstein.
Mas Skip, essa dos campeonatos escolares de Risco é boa.
Em Portugal campeonatos escolares só de Futebol e mesmo assim...

zorg disse...

Eu comecei a jogar risco (na altura era o War e agora sei que estava a jogar uma edição brasileira - obrigado skip) no 6º ano, na biblioteca da escola preparatória. Um amigo meu tinha o jogo e a gente passava lá os furos e os períodos mortos entretidos a tentar conquistar o mundo. Mais tarde, comprei a versão portuguesa e ainda fizemos algumas valentes (e demoradas) sessões. Compreendo a nostalgia, mas era positivamente incapaz de o voltar a jogar, particularmente sem objectivos.

Mesmo que demore apenas uma hora , consigo pensar em 50 jogos mais giros/desafiantes/estimulantes/divertidos do que o risco.

Mas mentiria se não reconhecesse que o post do hugo (bem revindo!) despertou recordações há muito adormecidas. :)

dont disse...

Em Tramagal jogavamos bem ao Risco.

hmocc disse...

Ahhh que saudades desses velhos tempos... A minha estratégia era ocupar a américa do sul, depois a américa do norte, e por fim a europa. Se conseguisse isso, entalava os africanos e os asiáticos.

Devo no entanto admitir que a taxa de sucesso sempre foi inferior a 25%.

Sempre jogámos com os objectivos, mas acabávamos invariavelmente por continuar para a conquista do mundo...

Anónimo disse...

Aqui na Belgica o pessoal esta sempre a jogar ao risk.. principalmene na internet num site www.facebook.com que tem esse jogo. E agra arrangei a nova versao do jogo em tabuleiro ja fiz uns joguinhos com uns amigos meus e pareceme melhor que o anterior.
Nao me farto de jogar e dos melhores jogos que ha e eu tenho 16 anos. Acho que o risk esta a voltar para a moda outra vez.

Anónimo disse...

Mas acredito que o risk tem um bocado mais de 10% de estrategia. Pelo menos tem tacticas mais eficazes e outras menos eficazes. Mas claro ue para ganhar uma partida tambem e preciso muita sorte uma vez estava a tentar conquistar o Sião(Asia) a partir da Australia eu tinha 11 batalhoes e o meu adversario(que por coincidencia tambem se chama pombo)tnha 3 e perdi ele ficou com 2 e eu com 1. Tambem e preciso muita sorte...

Anónimo disse...

Oi, também comprei um jogo do risco (em tabuleiro),mas com a mudança de casa perdi as instruções. Alguém me pode enviar digitalizadas???
Agradeço!
carla_gueifao@hotmail.com

Anónimo disse...

ola
hoje queriamos jogar risco cá em casa mas o meu amigo tem a nova versao e nós queriamos jogar com os objectivos antigos. alguem tem o risco versao antiga que me possa enviar as cartas de objectivos? pode ser só escritas mesmo em bloco de notas ou memo no email
agradecia obrigado
email casalvor@hotmail.com

strait disse...

Boas Malta, tambem eu ainda hoje me vicio no risco mas online. quem quiser, www.dominategame.com

download em http://www.dominategame.com/website.php?page=download

nem sempre o servidor esta ligado. divirtam-se

Anónimo disse...

ola precisava que alguém me arranja-se as regras do risco o mais depressa possivel,muito obrigada fico a espera.

Anónimo disse...

Boas, queria comprar o jogo o risco!!
Pode ser em segunda mao! nao me importo.Mas desde que teja completo!!
Se alguem tiver para vender mande msg para goncalo.48@hotmail.com

Anónimo disse...

Tenho 34 anos e jogo o Risco desde os 18. Tenho o clássico, a versão Senhor dos Anéis e o Risco 2210 A.D. Hoje vou experimentar o Axes and allies

Vitor Hugo Rebelo disse...

Eu tinha e tenho é sempre dificuldade em arranjar jogadores para jogar comigo. Infelizmente só passei infancia, adolescencia e adultice a jogar o que era moda para os meus amigos. Pro evolution Soccer, Magic the gathering e recentemente Poker. Mas na escola ainda organizei muitos torneios de Magic. Por falar nisso, tenho o risco 2210 e a versao senhor dos aneis para vender e quero comprar o catan.

Anónimo disse...

Oi eu gostava de saber onde se encontra a vender o jogo risk em portugal, e se possível também as versões especiais como o senhor dos anéis