05 dezembro 2005

Session Report: Lowenherz

O clima cinzentão e chuvoso que tem caracterizado este inverno não é só benéfico para a agricultura: há poucas alturas mais adequadas a uma sessão de jogatana no conforto do lar, do que uma tarde de domingo com mau tempo.

E foi o que fizémos um destes domingos! A ideia inicial era continuar a desbravar o Die Macher, depois da primeira - e inacabada - sessão, onde pouco mais conseguimos do que perceber os mecanismos do jogo.

No entanto alguns problemas logísticos acabaram por nos obrigar a mudar de planos. Dos 5 jogadores inicialmente previstos, só vieram 4 e, ainda por cima, 1 deles chegou mais tarde. Assim eu, o hugo e o fetolim optámos por fazer uma sessão de tigris & euphrates a 3 (onde passeei a minha superioridade, no que constituiu um verdadeiro massacre) enquanto esperávamos pelo Luis. Depois dele chegar, optámos por partir para um Lowenherz, uma vez que éramos 4 e esse é o número exacto para jogar essa maravilha do mestre Klaus "Catan" Teuber.

Diz a lenda que o mestre criou um jogo único e colossal a partir do qual extraiu o Descobridores de Catan, o Lowenherz e o Entdecker. E enquanto o Catan é um jogo essencialmente económico, este Lowenherz (que quer dizer "coração de leão" em alemão) é, acima de tudo, um jogo de conflito e de politica. Há uma fase negocial cujo impacto no jogo é muito importante, como o Hugo descobriu à sua própria custa.

O mecanismo básico é muito simples: os jogadores precisam de ir definindo e expandindo regiões em cima do tabuleiro. Para isso colocam muralhas que definem as fronteiras da região e colocam cavaleiros nas regiões para lhes darem força militar e permitir que as fronteiras se expandam à custa de regiões adjancentes menos poderosas militarmente. Para isso, em cada turn, é virada uma carta que contém 3 acções disponíveis. No entanto, a mesma acção não pode ser utilizada por 2 jogadores (salvo uma honrosa excepção). Ou seja, se há 4 jogadores e só 3 acções, é inevitável que uma das acções seja escolhida por mais do que um e é nesta altura que entra a negociação.

As regras são explicitas e dizem que os jogadores em causa (os que escolhem a mesma acção) podem tentar chegar a um acordo que envolve, normalmente, a troca de dinheiro. Caso os jogadores não cheguem a um acordo, há um leilão em regime de blind bidding, em que ambos os jogadores oferecem secretamente uma quantia e ganha o que oferecer mais.

As acções disponíveis são: colocar muralhas, que permite colocar 1 ou mais muralhas de plástico no tabuleiro, para definir as regiões ; colocar cavaleiros para reforçar uma região ou expandir regiões ; receber dinheiro, que é a única acção que pode ser executada por mais do que um jogador, dividindo-se o saque e receber uma carta especial, que concede algum poder especial ao seu dono e pode ser usada futuramente durante o jogo.

O jogo em si foi muito equilibrado. Ou por outra, foi muito equilibrado entre mim, o fetolim e o luís, já que o Hugo optou por uma estratégia "tio patinhas" de não gastar dinheiro. Resultado: sem gastar dinheiro, só fazia as acções que mais ninguém queria, o que levou a que terminasse com aproximadamente metade dos pontos dos outros três jogadores.


Fig. 1: Hugo contempla o resultado da sua estratégia desastrosa

Eu acabei por triunfar (2 jogos, 2 vitórias...foi uma tarde proveitosa), mas com apenas 1 ponto de vantagem sobre o Luís e o fetolim ficou a 3 ou 4 pontos de nós. Só mesmo o hugo é que foi uma vergonha!


Fig. 2: O tabuleiro final do jogo

6 comentários:

Skip disse...

Excelente report session. Ontem mesmo passei por aqui atrás de novidades.

zorg disse...

Se não sou eu a fazer este blog andar para a frente, está tudo tramado. ;)

Em breve devem vir mais novidades, pelo menos da parte que me toca, por isso continua a passar por cá, se puderes! ;)

Hugo disse...

Devo esclarecer os leitores que por cá vêm e que me têm em grande conta, que o factor determinante para o meu desaire na sessão descrita, é que não me costumo dar muito bem com jogos que impliquem a circulação de dinheiro.
A culpa nem é minha, mas antes da minha mãe que desde pequeno me tem advertido:
“Ó Filho, tu poupa...”
E eu poupo, na vida como nos jogos. Por isso é que acabo sempre sem castelos e sem cavaleiros, mas em compensação, posso comprar a alma dos meus adversários.

fgpina disse...

Caros,
Um jogo que volta e meia sai da prateleira e tem deixado boas memórias em minha casa é o Domaine.
Antes de o comprar, li uma opinião generalizada no BGG, que este resultava de uma evolução relativamente ao Lowenherz, eliminando ou melhorando alguns aspectos menos bem conseguidos, nomeadamente o sistema de leilão que muitos consideram “fraco” e consumidor de tempo.
Sem nunca ter jogado o Lowenherz, parece-me que a principal diferença reside no sistema de aquisição de cartas. Enquanto o Lowenherz tem um leilão, o Domaine tem um mercado de compra e venda de cartas (podendo-se comprar e vender cartas nesse mercado). De resto, penso que tudo seja razoavelmente parecido.
No meu caso, que gosto de jogos com forte interacção entre jogadores, um leilão é normalmente uma vantagem. É claro que o leilão faz consumir tempo… A minha dúvida é se no Lowenherz, o leilão provoca a diversão suficiente para compensar a perda de ritmo de jogo (e o Domaine é um jogo com imenso ritmo).
Será que o Klaus Teuber quis corrigir alguns defeitos do Lowenherz, ou simplesmente fez um “re-styling” para vender mais uns exemplares?
Este(s) jogo(s) tem um sistema de expansão territorial interessante, em que normalmente é o último território a ser fechado, o que vai determinar a vitória. Isto garante a manutenção da tensão até ao fim.
É também um dos raros jogos Alemães com mecânicas de conquista (embora tímidas), o que é sempre de saudar. Aquele complexo pós - 2ª guerra, que subtrai à generalidade dos jogos Alemães as (muito do meu agrado) componentes marciais, deveria acabar para bem dessa indústria.

Flip

zorg disse...

Caro fgpina

Tal como tu, eu também andei no BGG a ver as reviews antes de comprar o Löwenherz e também considerei a hipótese de optar pelo Domaine.

O assunto não é pacifico (prova disso é a diferença entre o rating de ambos ser apenas 3 centésimas, com vantagem para o lowenherz) e os seguidores de ambos os "cultos" apresentam argumentos válidos.

No meu caso - e sublinho que nunca joguei Domaine, por isso se calhar estou enganado - acho que a negociação (e sublinho negociação, porque é mais do que um leilão) pelas acções (e não pelas cartas), é uma parte crucial do jogo. Evidentemente, que torna o jogo um bocadinho mais demorado, mas como, mesmo assim, se consegue jogar em mais ou menos 1 hora, não me parece que esse acréscimo de tempo seja muito relevante.

fgpina disse...

Caro Zorg,

Depois do teu post, revisitei novamente o BGG, para ler outras opiniões.

Como referes, há uma discussão acesa sobre qual dos dois jogos "domina" o outro.

Do que vi, parece que o leilão permite aquele tipo de tensão instantânea sempre muito agradável. Para mim, isso são argumentos!

Por outro lado, no Domaine, tem-se 3 cartas na mão. Podemos vender uma carta no mercado e realizar dinheiro. Podemos comprar uma carta no mercado (de um jogador que a largou lá) ou biscar simplesmente. O que isto dá é um muito maior controlo ao jogo e uma garantia de maior estratégia. Talvez por isso, apesar de não termos leilão, perde-se um pouco mais de tempo a pensar (que carta colocar no mercado que pode virar-se contra nós; será melhor utilizar essa carta para que ela não nos venha a prejudicar, etc.).

Portanto, o que me parece é que temos um jogo mais ligeiro e porventura mais divertido no caso do Lowenherz, e um jogo mais estratégico e pensado no caso do Domaine.

O Domaine tem também algumas melhorias de pequeno pormenor (como não poderia deixar de ser numa evolução), como sejam existirem 4 tipos de minas, um sistema de pontuação mais afinado e a bonecada (castelos e cavaleiros) a chamar mais ao olho.