12 janeiro 2010

Os grandes jogos da década: C&C: Ancients

Os jogos de guerra, desde que entrei neste mundo do tabuleiro, sempre me fascinaram. Na altura olhava para eles com num misto de receio e excitação. Um livro de 100 páginas cheio de regras e uma semana para conseguir terminar uma simples partida era algo que, por muito que quisesse, não me conseguia acelerar o coração. No entanto esta exigência acabou por me fazer aperceber que, duma vez por todas, estava mesmo a ficar velho e que a juventude, esse bem precioso, foi-se definitivamente. Nos meus tempos de jovem rebelde e destemido, estes dois factores, regras e duração de jogo, não me provocariam qualquer tipo de abalo. No entanto, depois de constituir uma família, o tempo é um bem que me escapa diariamente por todos os lados. É a loiça para lavar, a roupa para secar, são as comprar que precisam de ser feitas no hipermercado, são as idas à casa dos sogros, é a necessidade de montar uma merda qualquer do Ikea, a obrigação de levar o lixo ao contentor, é mais isto e mais aquilo. Os banais trabalhos domésticos, como se vê, roubam-nos aquela sensação de felicidade juvenil de despreocupação e preguiça. Agora compreendo bem porque os italianos não se piram da casa dos pais. Eles é que a sabem toda.

Mas felizmente, existe um homem de seu nome Richard Borg que provavelmente passou pelo mesmo e durante os almoços intermináveis na casa dos sogros, fez a sua mente vaguear para assuntos muito mais pertinentes. Foi assim que nasceu o orgulho de todos os homens que, como eu, sempre desejaram fazer uma batalha a sério no tabuleiro mas não sabiam como.
Commands & Colors: Ancients é, na minha opinião, o mais bem esgalhado jogo de guerra da década. Joga-se rapidamente, as regras são fáceis e todo o ambiente duma batalha da antiguidade permanece preservada e sem qualquer beliscão. Podemos fazer as vezes de Aníbal, Cipião, Alexandre, César, Dário e daqui a uns tempos de Napoleão.
Richard Borg conseguiu fazer um jogo onde as tácticas da altura e as preocupações dos generais passaram para o jogador. Podemos ter uma experiência muito realista de como foram os campos de batalha da altura. As formações, as diferenças entre os vários exércitos envolvidos, a diferença no número de efectivos dum lado e do outro da barricada, o resguardar dos flancos e a necessidade dos homens estarem sempre unidos. Para além disso contamos com elefantes, carros, cavalos, arqueiros e até camelos. Tudo em nome duma simulação o mais próxima do real possível. O set up tem em consideração a posição das unidades e o terreno das contendas. Não é de admirar, afim de preservar a verdade histórica, que haja bastantes batalhas desequilibradas. Tudo se joga através de cartas que possibilitam a entrada em acção das unidades posicionadas no lado esquerdo, direito ou centro. O que é mesmo fixe é que quantas mais unidades estiverem unidas e na formação principal, maior é a quantidade de tropas que se consegue jogar. É mesmo estupendo.
Apesar de tudo, posso considerar este jogo como o meu preferido de todos os tempos. É que existe ali um ambiente que nos envolve tanto que, se encostarmos o ouvido à cartolina do tabuleiro, até podemos ouvir os gritos dos guerreiros.

7 comentários:

Cacá disse...

Grande Hugo... disse tudo à respeito tanto do tempo que nos é roubado pela idade, quanto a beleza do sistema C&C..

Eu ainda sou mais aficcionado pelo Memoir, mas o Ancients realmente é de uma elegância sem comparativos...

Agora é só esperar as tropas de Napoleão chegarem a esse fantástico sistema de combate... =)

Abraços do Brasil...

zorg disse...

Também é um dos meus favoritos!

Tem dois defeitos:
- Na primeira edição (a que eu tenho), o mapa não é de cartão duro e, por isso, precisa do plexiglass por cima para ficar direito.
- Foi preciso passar literalmente horas a colar autocolantes nos blocos - são muitos blocos - antes de o jogar a primeira vez. Tu não sentiste isso, porque quando lá chegaste a casa para o jogar, esse trabalho duro já estava todo feito. :P

De resto, é quase perfeito: joga-se numa horita, mais coisa menos coisa, e é interessante, evocativo da época, divertido de jogar... tudo o que um grande jogo deve ser!

arleqvino disse...

..este parece bom para partir a carola do gangue moscavidense.. :}

Xis disse...

Realista? LOOOL

Hugo Carvalho disse...

Convém, se calhar, lembrar que estamos a falar de jogos de tabuleiro

Anónimo disse...

nao gosto de jogos imfantis josto de acao

Anónimo disse...

nao gosto de jogos imfantis josto de acao