05 janeiro 2010

Os grandes jogos da década: Shogun

Shogun foi o primeiro jogo em que realmente senti qualquer coisa quando o joguei. É um título que exige bastante planeamento estratégico juntando-se-lhe uma pitada económica, básica é certa, mas que consegue oferecer, deste modo, mais do que os tradicionais movimentos de tropas e escaramuças a que estamos habituados em jogos desta categoria.
Shogun está muito bem desenhado. A ideia de apenas poder fazer uma acção por território obriga a gerir com cuidado a posição que o jogador tem no mapa. É necessário construir, cobrar impostos, recolher o arroz das plantações e, claro, juntar a isto tudo toda a planificação militar necessária à vitória. O jogador sente-se quase sempre encostado à parede. As acções parecem poucas para todo um vasto leque de possibilidades que se abrem no decorrer duma partida. Imagine o caro leitor que um território seu permite-lhe cobrar impostos altos, mas que, por outro lado, pode mandar as suas tropas lá estacionadas para um território vizinho fracamente defendido. Como só tem uma acção por território, a decisão apresenta-se tramada. Não só porque vai precisar de dinheiro para construir templos, teatros e palácios, mas porque uma conquista permite-lhe angariar pontos e também aumentar as opções de jogo no futuro. O que fazer? É que se optar pela guerra e a ganhar, depois de contados os cadáveres, que serão muitos, terá dois territórios com menos tropas. Qualquer confronto origina grandes baixas e como está bom de ver, defender dois territórios com 3 exércitos é bastante diferente do que defender um com 8 ou 9. A ideia é que territórios mal defendidos, mesmo que sejam muitos, são bastante apetecíveis aos adversários. Mais vale atacar pela certa e depois de alguma ponderação. Portanto, como diz o meu querido amigo Zorg, tudo gira à volta de equilíbrios. É necessário equilibrar o número de exércitos dos nossos territórios com o número de exércitos estacionados nos territórios vizinhos. A ideia é desmotivar um ataque do adversário. Mas para conseguir isso tudo é necessário dinheiro. E dinheiro, tanto no Japão como cá, não abunda.
Para ajudar a festa e dificultar a vida dum Shogun, os camponeses não gostam de ser explorados. Por isso, sempre que um jogador se armar em parvo e cobrar mais de uma vez impostos no mesmo território origina uma guerra civil. A coisa é mais ou menos sanada, mas uma revolta destas acaba sempre por fazer mossa, mesmo que tenha um ou outro exército morto pode ser o suficiente para ficar com uma defesa mais débil. E já se sabe o que acontece quando uma defesa está nas lonas. Pense no Bayern Sporting e terá uma ideia do que lhe pode acontecer.
Como se fosse pouco, uma das obrigações do Shogun é alimentar o seu povo no Inverno. Isso pode ser um problema. Se não há arroz suficiente nos armazéns, os camponeses, essa escória, revolta-se e é bastante frequente o jogador perder territórios por esse motivo. Como este tipo de revoltas têm lugar no final da partida podem ser o motivo duma derrota quando as contas finais forem feitas.
Por esta e por outras razões, Shogun deixa um homem a pensar na vida e durante três horas compreende porque razão existem jogos tão estimulantes e maravilhosos.
Muita gente queixa-se que a dinâmica de Shogun é muito repetitiva tornando-se aborrecida. Eu não concordo. Acho o jogo bastante estimulante e esse estímulo vai crescendo com a partida. Cada nova ronda as opções são mais e as decisões mais difíceis de tomar.
Para a resolução de conflitos utiliza-se a torre. A torre decide quem morre e quem vive. Muito embora, para complicar as contas, este pedaço de cartão retém alguns soldados que, mais tarde, voltam ao campo de batalha podendo alterar assim o resultado.
Eu adoro este Shogun. Sempre que novos jogadores escrevem a dizer que gostam muito do Risco e que pretendem alguma coisa do género eu nem penso duas vezes. Aconselho este colosso e as reacções são sempre positivas.
Face a isto, o que se pode querer mais?

2 comentários:

zorg disse...

Gostei muito da última vez que jogámos isto lá em tua casa, com o mítico Lindinho a tentar rebentar-me as trombas, em desvantagem numérica, logo a abrir as hostilidades. :)

Joana disse...
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