05 janeiro 2010

Os grandes jogos da década: Puerto Rico


Puerto Rico é o jogo que mais tempo passou no topo da tabela do BGG. Tão inabalável e eterna parecia a sua liderança que, a determinada altura, já se discutia se não seria o algoritmo de cálculo do rating utilizado pelo BGG que estava a impedir artificialmente que fosse ultrapassado. O furacão Agricola veio demonstrar que não era o caso mas, de qualquer das formas, isso diz muito do estatuto que tem esta obra-prima. E Puerto Rico é, de facto, uma obra prima. É a essência do eurogame: mecanismos originais, muitos caminhos possíveis para a vitória, poucos tempos mortos entre jogadas, ausência de conflito directo, considerável complexidade, com muito espaço para análise e contra-análise e um tempo médio de jogo muito razoável. Não é realista, não tem uma enciclopédia de regras de 10 volumes, não maltrata os jogadores, não tem escravos - nem é concebível que alguém possa pensar que as peças castanhas, que chegam aos magotes às caraíbas do século 16/17 em navios para trabalhar nas plantações sejam outra coisa que não... colonos - e é um dos grandes exemplos dos chamados jogos build your engine, em que se constrói um motor e depois se procura extrair dele o máximo de pontos possível, antes que o jogo termine. É também um dos jogos mais analisados do BGG - basta olhar para a quantidade de artigos de estratégia disponíveis - e foi jogado até à exaustão por muita gente, quando estava disponível no BSW. Nesses tempos gloriosos, era fácil encontrar gamers ensandecidos com 1000, ou mais, jogos feitos e percentagens de vitória altíssimas. Cheguei tarde a esse comboio, particularmente, o das percentagens de vitória altíssimas, mas continua a ser dos meus jogos favoritos de todos os tempos.

Mataria por uma partida de Puerto Rico? Não, mas quase...

2 comentários:

Hugo Carvalho disse...

Este puerto Rico sintetiza tudo o que há de bom nos jogos de tabuleiro. É uma lição de como se faz um jogo interessante e como os bons jogos agradam tanto aos jogadores experientes como aos novatos. Tudo está limpinho e não há nada lá a mais ou a menos. É brilhante!

Joana disse...
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