15 novembro 2006

Critica: Modern Art

Têm sido correntes as conversas em torno da hipótese de nos próximos dias alguém vencer o Euromilhões e ficar com aquele dinheirão todo.
É sempre bom ouvir as pessoas a falarem nessa hipótese como se fossem favas contadas:
-Ai eu primeiro fazia isto, e depois também fazia aquilo...
Uma coisa parece certa, a maioria dos teóricos das fortunas virtuais são da opinião que qualquer pessoa que ganhasse tanto dinheiro teria de ocupar o tempo em alguma coisa. Aparentemente não é possível estar muito tempo sem fazer nada. Segundo um psicólogo autor dum livro sobre coisas relacionadas com a psicologia, o Homem é um ser que precisa de se mexer, de se envolver em alguma coisa para se sentir realizado e feliz.
E possibilidades não faltam. Uma rápida consulta pelos que me são mais próximos foi reveladora dos planos. Um jogava na bolsa, outro passeava 5 anos pelo mundo, outro dava-se como voluntário para ajudar os outros, outra ia adoptar crianças pró Sri Lanka, etc., etc.
- E tu, Hugo? Hum? O que é que fazias se te saísse tanto dinheiro?
A resposta não veio imediata, mas uma reflexão mais profunda revelou-a:
- Eu, eu acho que iria negociar arte!
O espanto invadiu a cara de todos aqueles que me ouviram, mas sem saberem que, por detrás desta revelação estão cerca de 4 meses de grande experiência em especulação e também a compra e venda de quadros dos maiores pintores do mundo. É um talento que tendo a esconder de todos mas que muito me orgulha, especialmente quando estou bêbado.



Tudo isto se deve ao génio de Reiner Knizia. Homem de ofícios vários que no longínquo ano de 1992 se lembrou de criar um dos jogos mais simples do mercado e também dos mais interessantes. Corre por entre alguns jogadores a teoria de que quanto mais simples um jogo for melhor este se torna. Não subscrevo a 100% esta afirmação, mas uma coisa é certa, quanto mais simples for o jogo, mais malta se predispõe a jogá-lo.
Modern Art é um jogo simples. Tem um conceito simples, uma mecânica simples e um objectivo simples. Tenho-o usado mesmo como introdução ao universo dos jogos de tabuleiro e tem tido grande aceitação por parte dos caloiros.
Por outro lado tem sido o título que mais tenho jogado nos últimos 4 meses e posso dizer que já não consigo deixar do jogar. Sou um jogador paciente e conservador, pelo que não é costume perder dinheiro com as transacções e tenho tido a felicidade de encher os bolsos com as vendas. Tenho notado alguma evolução nesta nobre arte do comércio de telas e embora seja virtual, devo dizer que se fosse a sério, meus amigos, estava multimilionário.
Modern Art, apesar do seu brilhantismo tem o seu calcanhar de Aquiles nos componentes. É dos jogos mais pobres a esse respeito que tive a oportunidade de jogar. Ainda para mais quando o tema é tão rico. Este jogo poderia servir dum bom veículo para mostrar a obra de pintores aos jogadores, principalmente a todos aqueles que não ligam patavina aos pincéis e às telas. Meia dúzia de partidas e qualquer um já sabia distinguir um pintor impressionista dum expressionista a milhas de distância. Penso que se as cartas tivessem reproduções de quadros famosos e de estilos diferentes o jogo teria uma componente educativa bastante grande e serviria até para os pais poderem mostrar aos seus rebentos os meandros da pintura.
Infelizmente os responsáveis de Mayfair Games assim não o entendem e preferem apostar no humor, inventando para o efeito, pintores atormentados pela vida e sem um talento especial, tirando talvez as obras do pintor Yoko que, pelo menos, sempre representam a Pop Art. Verdadeiramente arrepiante a forma como o jogo é tratado!



Quanto ao jogo propriamente dito, tudo se baseia no leilão. Cada jogador recebe uma mão de cartas e, à vez, vai colocando os quadros em cima da mesa para serem leiloados. Existem vários tipos de leilão:
O aberto - onde todos os jogadores vão subindo a parada até que ninguém cubra o último valor.
O leilão duma ronda - onde cada jogador, seguindo os ponteiros do relógio, tem apenas uma possibilidade de fazer a sua oferta.
O leilão fechado - onde os jogadores colocam a sua oferta em mão fechada e revelam simultaneamente o valor desta.
Existe também a possibilidade da venda ser directa, onde o jogador pede um valor pelo quadro sendo este vendido a quem o quiser comprar.
Existe, sob certas circunstâncias, a possibilidade de vender dois quadros ao mesmo tempo, tendo o jogador que os coloca à venda uma fonte de receita não negligenciável, até porque em cada turno só é permitido vender um quadro por jogador.
Cada quadro tem nele a inscrição do tipo de leilão a utilizar para a sua venda. Existem leilões em que os quadros atingem valores mais elevados, como o caso do leilão aberto. Um leilão fechado poderá render menos umas moedas que um leilão de uma ronda, embora este género de observações seja bastante relativo.
Basicamente é isto, os jogadores vão colocando sobre a mesa os quadros que querem vender e com os quais pensam obter uma maior receita, ou então numa manobra mais arriscada, contribuírem para estragar o jogo dos outros.
No final de cada uma das 4 rondas do jogo fazem-se contas.
Os 3 autores mais vendidos (dum total de seis) terão os seus quadros valorizados. Assim os quadros comprados do autor mais vendido renderão ao seu comprador 30 dinheiros, o segundo 20 e o terceiro 10.
A estes valores somam-se os valores das rondas seguintes, de forma que quanto mais se venderem os quadros dum autor, mais valiosos se tornam, tendo sempre em atenção que existe um universo limitado de pinturas dum determinado pintor.
No fim de tudo o jogador que tiver mais dinheiro é o vencedor.
Tudo muito simples e funcional.



O que assistimos na mesa é um envolvimento constante dos participantes no jogo. Ora leiloando, ora especulando, ora tramando o parceiro. A única coisa que interessa é ganhar dinheiro, fazer valorizar os quadros dos pintores que se tem em mão e vender tudo ao melhor preço possível.
Um dos aspectos interessantes do jogo é que a experiência do jogar varia muito consoante os jogadores. Existem jogadores que se esforçam por desvalorizar os quadros comprados pelos outros e jogadores que, o que lhes interessa, é dinheiro em caixa.
Ao certo não se sabe qual a receita para se vencer uma partida de Modern Art. Há quem diga que os quadros não devem ser comprados a mais de metade do preço de mercado, outros dizem que não, outros dizem que o que rende é comprar os próprios quadros, outros dizem que essa atitude é deitar dinheiro fora.
Gerir esta especulação é que torna o jogo motivante. Normalmente colocar na mesa um quadro do pintor da berra é mais gratificante para o vendedor e para o comprador que colocar um quadro dum pintor sem historial. Mas isso depende muito dos jogadores que estiverem na mesa e das cartas que se tem em mãos. Mas este raciocínio é o mais habitual e o que melhores frutos dá.
Modern Art é um pau de dois bicos, por um lado pode produzir reviravoltas extraordinárias ou então, pelo contrário, pode ser bastante previsível. Claro que a primeira situação torna o jogo mais motivante para quem o joga, mas são raros os jogos em que isso acontece. A experiência dos jogadores contribui para que o jogo seja mais prolongado e mais difícil, mas basta um elemento mais inexperiente para que as surpresas acabem. Nesse particular existem desequilíbrios que tendem a beneficiar quem menos arrisca. Nada de extraordinário mas que pode chatear os mais exigentes.
Mas seja como for eu adoro o jogo. Demora 45 minutos e os leilões constantes trazem um certo charme que só é beliscado pelos horríveis componentes, que nos relembram que Modern Art é apenas um jogo.
Em suma, se anda à procura dum jogo fácil, divertido, com muita interacção e que se jogue rápido, Modern Art é o seu alvo. É barato e o tema envolve bem os jogadores. É difícil pedir mais. Aconselho a compra duma boa garrafa de vinho. Afinal de contas, durante 45 minutos você está a sentir no pêlo o que é negociar arte e isso, caro leitor, exige alguma sofisticação.

Pontos Positivos:
- Jogo rápido e muito fácil de aprender
- Grande envolvimento entre jogadores e tema
- Quando jogado com jogadores experientes tudo pode acontecer
- O preço
- A possibilidade duma nova edição pode tornar a experiência visual de Modern Art mais interessante

Pontos Negativos:
- Componentes tão maus que até fazem chorar o mais insensível dos jogadores
- Tem alguns desequilíbrios que beneficiam os mais conservadores


22 comentários:

soledade disse...

Modern Art é um grande jogo. É o jogo de leilão por definição.
Os componentes são uma porcaria, é verdade. Eu tenho, num rasgo de felicidade extrema, a versão da Hans im Gluck, que sempre é mais bonitinha...

Confesso que nunca me tinha ocorrido que o jogo também pudesse servir para educar. Era, sem dúvida, uma boa aposta.

Em relação à estratégia... realmente o jogo tende a favorecer os menos audaciosos, os mais matemáticos.
Eu continuo a achar que se devem comprar os próprios quadros e menosprezar os dos adversários para não lhes dar dinheiro. É que, se eu comprar um quadro a um adversário por 10 significa que a vantagem dele para mim serão 20 e eu tenho de ver muito bem se, mesmo com a valorização do quadro, isso me agrada...

mas eu sou um romântico... nunca ganho isto.

Abraços
Paulo

zorg disse...

>>Tem alguns desequilíbrios que beneficiam os mais conservadores
---
Não percebo isto.

Se queres dizer que uma estratégia mais conservadora e de menor risco é mais recompensada, até percebo que tu digas isso, embora não tenha a certeza se isso será exactamente assim. Agora o que não concordo é que isso seja um desiquilibrio, nem que seja um defeito do jogo.

A nossa experiência com o modern art é limitada, principalmente com o modern art jogado só com jogadores tarimbados. E o modern art é um jogo que sofre muito com a presença de jogadores com experiências muito diferentes.

De acordo com a análise que faço ao jogo, eu até diria que, se jogares o jogo só com jogadores muito experientes, até ganhará aquele que for mais bem sucedido nas operações arriscadas que fizer. Mas isto ainda está para ser confirmado.

Pode ser que agora, com a relativa estabilização de um grupo de jogo, consigamos fazer alguns jogos só com pessoal experiente, para ver o que acontece.

Rui Conde disse...

Tenho o jogo e gosto dele, mas, os componentes são mesmo muito maus... As telas que vendemos, são cartas de fraca qualidade e de gosto muito fraquinho tambem...
De resto, o jogo é muito interessante.
Mas, é bom que se diga, se há jogo em que um mau jogador, pode influenciar o resultado final, é este!!!
Mesmo assim, acho o jogo recomendavel

Hugo disse...

Falo em desequilíbrio na medida em que um jogador que tente tramar os negócios dum adversário acaba sempre por perder dinheiro.
Porque os quadros dos autores mais valiosos vão sempre ser os mais vendidos.
Se algum jogador quiser tramar este tipo de negociatas terá de colocar á venda quadros dum autor menos cotado. O que acontece é que com estes quadros vai lucrar muito menos que lucraria com um autor mais reconhecido. Isto traz um problema, porque um jogador para impedir o “score” do autor mais valioso precisa de ajuda dos outros jogadores, de forma a colocar no mercado quadros de autores menos valiosos e desvalorizar os autores mais valiosos.
Já joguei muito jogos e na maior parte deles isso não acontece (tentar tramar os adversários) e quando acontece acaba sempre por ser derrotado quem utilizar essa estratégia.
Prova disso é que geralmente a última rodada é a mais rápida e muitas vezes só se vendem quadros de dois autores.
Não digo que seja um problema do jogo, talvez até seja dos jogadores mais novatos que, compreensivelmente, usam mais o coração que a cabeça. Mas isso não belisca o prazer que tenho em jogar Modern Art.
Mas tende para o previsível.

hmocc disse...

Num acesso de fúria maníaco-paranoica decidi "despachar" quase todos os meus Knizias.

O Modern Art está à venda no BGG, assim como o Samurai. O Tigris (jogo que até gosto mas que não iria voltar à mesa tão cedo) foi, naturalmente o primeiro a ir. O Tadsh Mahal foi logo a seguir e o Blue Moon City idem aspas.

Salvaram-se, por enquanto, o Lost Cities (que é bonzinho, mas não sei se resistirá a novo acesso de fúria maníco-paranoica), o Fabrik der Traume (possivelmente o Knizia com mais tema/sabor, e aquele que mais vontade me dá de jogar) e os camelos pastel (Durch Die Wüste), que, assim que comprar o Hacienda, vão logo à sua vidinha.

Mas voltando ao Modern Art, a razão pela qual o quero vender, não tem a ver com o jogo em si (bem, talvez um poucochinho), mas principalmente com o facto de não o jogar, nem sequer, ocasionalmente.

É pena, eu sei.

zorg disse...

>>Falo em desequilíbrio na medida em que um jogador que tente tramar os negócios dum adversário acaba sempre por perder dinheiro.
---
Pode ser verdade, mas isso não quer dizer que seja necessariamente mau. Se eu estiver em segundo, atrás de ti, e perder um bocadinho de dinheiro para te fazer perder muito mais, isso pode ser vantajoso para mim.

Para além do mais o facto de haver 1 só jogador a querer "lixar outro", normalmente isso quer dizer que estás a jogar numa mesa com poucos jogadores experientes. Num jogo só com jogadores experientes, toda a gente presta atenção ao score de todos os outros jogadores, e toda a gente terá tendência a "malhar" no líder.

Ou seja, é pouco provável que uma tentativa de lixar o líder seja um acto isolado de um só jogador e muito mais provável que seja uma acção concertada de vários.

>>Porque os quadros dos autores mais valiosos vão sempre ser os mais vendidos.
---
Sim, isso acontece por definição.


>>Se algum jogador quiser tramar este tipo de negociatas terá de colocar á venda quadros dum autor menos cotado.
---
Remeto-te para o meu ponto, mais acima. Se a tentativa de lixar o jogador que vai à frente não for uma acção isolada, mas sim um esforço concertado de vários jogadores, não só é possível que resulte, como até é possível que não percas dinheiro com isso.

>> Isto traz um problema, porque um jogador para impedir o “score” do autor mais valioso precisa de ajuda dos outros jogadores, de forma a colocar no mercado quadros de autores menos valiosos e desvalorizar os autores mais valiosos.
---
De novo para o ponto acima: se jogares com jogadores experientes, parece-me que durante o jogo se nascerão e morrerão muitas alianças de ocasião, normalmente para lixar quem vai à frente em determinada altura do jogo.

>>Já joguei muito jogos e na maior parte deles isso não acontece (tentar tramar os adversários) e quando acontece acaba sempre por ser derrotado quem utilizar essa estratégia.
---
Mas sempre com gente pouco experiente, ou pelo menos, com algumas pessoas pouco experientes presentes no jogo, não?

O Modern Art começa por ser um jogo soltário e são precisos vários jogos para começares a ter noção das dinâmicas de grupo que se podem criar. No entanto, se alguns dos jogadores não se aperceberem destas dinâmicas por inexperiência, acabam por inviabilizar os planos conspiracionistas dos outros.

Por isso é que eu acho que jogar modern art só com tipos experientes deve ser uma coisa completamente diferente e nessa situação acho que quem usar uma estratégia mais conservadora, mas facilmente se lixa.

Eu falo, mas já joguei alguns jogos de modern art (10 vezes, de acordo aqui com o meu profile do geek) e só nos últimos 2 ou 3 é que comecei a prestar atenção, por exemplo, a algo de tão obviamente indispensável como o score dos adversários e que ignorei olimpicamente durante as primeiras 6 ou 7 vezes que joguei. Ou seja, só nos últimos 2 ou 3 jogos é que comecei a ter noção de quem é que deveria tentar lixar, a cada momento. Se mais nenhum jogador tiver essa noção, isso não serve de nada...

Hugo disse...

Sim tens razão, é muito importante estar toda a gente sintonizada.
Seja como for, de pouco vale se 2 ou 3 jogadores jogarem para tramar o parceiro e houver outro que apenas vende os quadros do momento. Quase sempre este jogador vence.
Esta situação deixa-me com um amargo de boca.
Ganhei os últimos 2 jogos de Modern Art em mesas com tantos jogadores experientes como experientes e a minha opção foi vender, do principio ao fim, os quadros do momento.
Fiz uma fortuna.
Numa ocasião anterior tentei jogar para desvalorizar os quadros dos adversarios q foram comprados e falhei miseravelmente.

zorg disse...

>>Seja como for, de pouco vale se 2 ou 3 jogadores jogarem para tramar o parceiro e houver outro que apenas vende os quadros do momento. Quase sempre este jogador vence.
---
Não, aqui não concordo. Se 3 jogadores se concertarem para lixar outro, provavelmente esses fazem dinheiro. O alvo deles eventualmente perderá dinheiro se tiver aberto o flanco. O jogador que sobra não vai ter grandes hipóteses: ou alinha e também ganha algum, ou não alinha e não ganha nada.

>>Ganhei os últimos 2 jogos de Modern Art em mesas com tantos jogadores experientes como experientes e a minha opção foi vender, do principio ao fim, os quadros do momento. Fiz uma fortuna.
---
Mas já jogaste ao Modern Art em jogos só com jogadores experientes? E por experientes eu digo pessoas com mais do que 5 ou 6 jogos no bucho. Eu nunca tive essa sorte e acho que isso faz toda a diferença. Jogando numa mesa em que há jogadores inexperientes - leia-se: em que as dinâmicas de grupo não existe - de facto o cerne do jogo são as vendas e por isso é que fizeste uma fortuna.

Agora, se toda a gente for experiente, toda a gente faz uma fortuna nas vendas (porque toda a gente sabe o que deve vender e quando) e a decisão final, a diferença entre o fazer uma fortuna e o fazer uma fortuna mais uns tostões, dependerá muito mais das compras. Para além disso, se te começares a destacar, numa mesa de jogadores experientes todos terão noção disso e conspirarão naturalmente para te tramar. E se vários jogadores conspirarem para te tramar, tramam-te.

>>Numa ocasião anterior tentei jogar para desvalorizar os quadros dos adversarios q foram comprados e falhei miseravelmente.
---
Porque estavas sozinho nesse ensejo. E porquê? Porque havia gente que, por inexperiência, estava só a jogar para si e a ignorar o resto.

Costa disse...

Durante muito tempo este foi um dos jogos com presença cativa no meu Top10. Mas à medida que em Leiria fomos abrindo mais caixas, outros jogos se revelaram e MODERN ART foi caindo na tabela.

Mas falando jogo...

MODERN ART é um belo jogo, um jogo que me agrada bastante e que gosto muito de jogar. É talvez um dos melhores jogos de leilão que conheço, se calhar só suplantado por SANTIAGO e quiçá AMUN-RE.

Mas verdade seja dita que MODERN ART vive só de uma ùnica mecânica esgotada até à exaustão, o leilão. O que não significa que seja um defeito, é o seu feitio. Mas como o jogo só pretende mesmo ser aquilo que é, tenho que votar alto neste jogo.

Por mim, este... eu jogo sempre...!

soledade disse...

Só os bons jogos causam tanta polémica...

Eu concordo com o Hugo em relação ao conservadorismo do jogo. Aliás, este aspecto está sempre presente nos jogos de Knizia, se não em todos os eurogames, em geral. Por conservadorismo quero dizer arriscar pouco. Arriscar pouco é controlar as vendas quando se tem jogo para isso e, quando se não tem, vender os quadros da moda para se ganhar algum. É assim que eu jogo.

Mas também concordo com o Zorg quando ele diz que, a existir uma estratégia concertada entre vários jogadores experientes, ou mesmo só com jogadores experientes, consegue-se alterar o rumo dos acontecimentos. Mas só se consegue fazer isto se alguém da oposição tiver jogo para controlar as vendas e, os outros, mesmo que mais experientes, andam a reboque e tentam fazer algum dinheiro no sentido de sairem o menos prejudicados possível. Se, quem vai à frente, tiver uma mão de quadros da moda, não me parece que seja razoável achar que se possa contornar a questão...

Resultado. Tanto dá dar-lhe na cabeça como na cabeça lhe dar. O jogo é altamente influenciável pela mão de cartas que cada jogador tem e pode, mesmo com todos os jogadores experientes, tornar-se incontrolável. Não tem a ver com sorte, tem antes a ver com jogo de cintura. Quem o tiver pode conseguir ganhar quem o não tiver não me parece que tenha muitas chances.

Abraços
Paulo

Chirol disse...

Bom, só joguei este jogo uma única vez, e apenas com calouros, e só tenho uma coisa a dizer: É MUITO DIVERTIDO O JOGO! Isso é o principal, foram alguns minutos muito legais e rindo com os camaradas, e é isso que eu exijo de um jogo.

A emoção dos leilões (principalmente o aberto) é diversão garantida. Confesso que me empolguei e fui extorquido por negociante inescrupulosos que quase me levaram a falência, mas são coisas deste mundo volátil das artes.

A impressão que eu tive é que o Knizia resolveu colocar num jogo só todos os tipos de leilões que ele conhece, e deu certo!!

abs

Hugo disse...

Pronto, pelo tipo de comentários dá para ver que cada cabeça tem a sua sentença.
Ainda bem, porque esse é um dos grandes atractivos do jogo, fazer com que cada um desenvolva a sua própria teoria de como vencer uma partida.
Toda a teoria vai por água a baixo na altura de dar as cartas. O jogador tem de se moldar aos outros ou então perde.
Cada grupo tem a sua forma de jogar, não existem grupos que joguem da mesma forma.
Mas seja como for, na minha opinião, por vezes acontecem jogos memoráveis de Modern Art, principalmente quando jogadores de "tribos diferentes" se encontram. É uma experiência brutal quando isso acontece e sentirmos a nossa forma de jogar a moldar-se aos outros.
Modern Art é um clássico absoluto, uma obra prima incontornável que merece um respeito maior do que aquele que tem vindo a merecer por parte da editora.
Julgo que está prevista uma nova edição e espero sinceramente que essa edição venha a contribuir para o jogo se tornar numa peça presente em todos os lares do mundo e em todos os jardins municipais.
Já me vejo ali na alameda a jogar com os velhotes modern art.
- Isto no meu tempo não havia nada disto. Tinhamos Sueca e a Bisca Lambida, mas agora este jogo dos quadros fez-nos renascer para a vida. Tás a vender esse Yoko por quanto? 20? Tás parvo ou quê? Por 20 comprava antes um Glitter. Olha este, vem para aqui e tem a mania que engana os mais velhor!

zorg disse...

Uma coisa que acho que é pacífica: este é provavelmente o jogo que mais depende do grupo com que se joga que existe.

Com um grupo pode ser "só" um jogo muito divertido de leilões (as aspas são porque ser só um jogo muito divertido de leiões já não é nada pouco) muito táctico, enquanto com outro pode ser uma coisa complicadíssima, envolvendo táctica, estratégia de longo prazo, bluff, manipulação, etc.

Seja como for, eu acho altamente recomendado, mesmo se tiver de ser a edição manhosa da mayfair...

hmocc disse...

Bem,

Vocês são lixados. Vou tirar o jogo do mercado por vossa causa.

Quero ver quantas vezes o vou jogar nos próximos tempos.

O pessoal do meu grupo quer é combóios (18xx) e Puerto Rico. Vá lá, o ocasional Mare Nostrum para desenjoar.

Fora disso tá difícil. Vou experimentar o outro grupo da região a ver se o caso muda de figura. Se não, não me faz sentido ficar com um excelente jogo que não posso jogar. Só me dá é raiva...

Chirol disse...

Só uma coisa: para mim, o blefe e a estratégia fazem parte da diversão! Acho o Amun-Re e o El Grande muito divertidos!

Dimitri BR disse...

boa, Hugo!

mas você não engana ninguém: está claro que, se ficasse subitamente milionário, investiria no empolgante mercado... dos jogos de tabuleiro, ora!

talvez especulasse com jogos fora de catálogo (lacrados, é claro, pois colecionadores não fazem uso de seus raríssimos itens);

ou talvez - uma hipótese bem mais interessante - se lançasse na aventura de fundar uma grande companhia Portuguesa de jogos de tabuleiro modernos, a 'HugoSpiel', ou coisa que o valha...

(não custa prevenir: neste caso, me avise sem demora, para que lhe envie alguns protótipos! :)

poderias ainda, num arroubo egomaníaco bem próprio aos excêntricos nouveaux-riches, contratar Ele, Reiner Knizia em pessoa (!), para desenvolver uma linha de jogos exclusiva, de acordo com teus gostos e mais - com tuas habilidades enquanto jogador - de modo a que te saísses sempre bem nas intermináveis jogatinas à beira da descomunal piscina em forma de um 'H', em tua casa de veraneio na Bahia!

...na verdade, agora compreendo: quiseste dizer que jogarias Modern Art à vera, leiloando levianamente quadros de grandes pintores, com teus novos amigos da alta roda.

isto é, se encontrares mais alguns ricaços que façam a mais vaga idéia do que vem a ser o BGG.

Hugo disse...

Essa ideia do HugoSpiel parece-me boa. Falta só ganhar a lotaria. Mas tal como o Knizia, também te contratava a ti para desenvolveres jogos para a empresa. Pelo que a Tania disse, os teus jogos são muito giros.

blogbel disse...

Xi... o sucesso subiu aa cabeça de Hugo e agora começa a confundir os nomes dos brasileiros. Afinal brasileiro é tudo igual, não é mesmo?
:-)

Melissazinha disse...

Não ligues, Bel, ele às vezes troca o meu nome também.

Dimitri BR disse...

opa, Knizia e eu?! sinto-me mais que honrado com o convite! está desde já aceito.

diga lá, para quando é o sorteio? vou torcer por sua sorte. e já começo a fazer as malas.

Hugo disse...

Bel,

Desculpa o engano, é que tenho andado esta semana a ter pesadelos com a Tânia, que envolvem o Ticket to Ride e derrotas imorais. Troquei os nomes por causa disso.
Um abraço para ti :)
Não te esqueças de mandar as fotos da nossa jogatana!

Roberto Ykata disse...

Modern Art agora possui uma versão que lhe faz jus; trata-se da versão brasileira, lançada recentemente pela Odysseia. A arte dessa nova versão é assinada por Mike Doyle.
Vejam: http://www.odysseiajogos.com.br/artemoderna/